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Poeta - escritor - cronista - produtor cultural. Professor de Português e Literaturas. Especialista em Estudos Literários pela FEUC. Especialista em Literaturas Portuguesa e Africanas pela Faculdade de Letras da UFRJ. Mestre em Literatura Portuguesa pela UFRJ. Nascido em Goiás, na cidade de Rio Verde. Casado. Pai de três filhos.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

A Inveja é uma Verba

A INVEJA É UMA VERBA
Erivelto Reis

Tanta gente boa que anda sofrendo com a inveja alheia que não é exagero imaginar que haja uma conspiração para impedir quem quer que seja de se organizar e crescer em qualquer área da atividade humana.
Os nomes são diversos pra o mesmo problema: olho-grande, olho-gordo, seca-pimenteira, invejoso, despeitado, ciumento, etc. O individuo alimenta-se da própria invídia e esta serve de verba para financiar a sua cruzada zelotípica. Compliquei? É simples: quanto mais se inveja alguma coisa, mais a inveja se reproduz dentro de nós.

Agora, vejamos: ninguém tem inveja, da inveja de quem tem inveja.

Importante é não confundir inveja com outras coisas. Ambição não é inveja, é um forte desejo, um grande anseio. Destina-se a projetar no elemento o desejo de atingir coisas notoriamente importantes: um cargo, uma colocação, uma realização. A inveja assume um caráter mesquinho, porque não é que o indivíduo queira ter o que você tem (seja lá o que for que você tenha!), ele quer, simplesmente, que você não tenha. Ele quer aniquilar você. E não se trata de competição. Isso subentenderia condições iguais, disputa declarada e sujeita a regras éticas e morais.
O invejoso pode esconder-se atrás de uma falsa moral, mas a ética, por ser transparente, não permite que ninguém se esconda atrás dela. Você pode ver e ser visto pelo seu prisma, mas, ao tentar distorcê-la e manipulá-la você estará impedido de enquadrar-se como ético. Patético talvez, e só.
Os que ocupam ou vivem em uma posição que sirva de parâmetro para outros estão acostumados a conviver com a ambição que despertam, mas o alvo do invejoso, em geral, não sabe que bem ao seu lado está alguém que nutre um sentimento tão feio e patológico. Os que percebem, procuram viver o mais discretamente possível. Outros ainda, desenvolvem rituais complexos de isolamento dos raios invisíveis da inveja: evitam contato com o invejoso, utilizam-se de figas, benzeduras, ramos de arruda, dentes de alho – até de ferraduras; se não for possível, escondem bens materiais e realizações pessoais. Por bens materiais, entenda-se desde um vaso de planta até um curso de computação, um fusca velho, um puxadinho no Alemão, ou... (complete com aquilo de que você tem inveja ou com o que invejam em você).

Não queira mal a quem tem inveja de você, mas também, não baixe demais a guarda. O invejoso não é um mau caráter. É bom caráter com mau costume. A inveja tem jeito. O que não tem jeito é a falta de semancol, de desconfiômetro. Ouço falar, e até sou usuário da expressão “inveja boa”. O invejoso não é um monstro. É um herói japonês tão feio como o monstro contra o qual luta. Monstro feio, grande herói; monstro ridículo, herói mais ainda. Não é uma posição confortável, mas acontece.
Não é minha intenção esgotar o assunto, nem poderia. Não há cronista, poeta ou escritor que possa realizar tal façanha! Portanto, deixo com você que me lê a incumbência de observar, dentro de suas relações, quantos e quais são os invejosos de plantão. Advirto que brigar e romper relações com os mesmos, talvez não surta os efeitos pretendidos. De qualquer forma, não vale a máxima que diz: “se não puder vencê-los, junte-se a eles”, pois nesse caso eles terão vencido. Muita luz em seus caminhos.


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