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Poeta - escritor - cronista - produtor cultural. Professor de Português e Literaturas. Especialista em Estudos Literários pela FEUC. Especialista em Literaturas Portuguesa e Africanas pela Faculdade de Letras da UFRJ. Mestre em Literatura Portuguesa pela UFRJ. Nascido em Goiás, na cidade de Rio Verde. Casado. Pai de três filhos.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

"O QUE ACONTECE COM O PENSAMENTO QUANDO A GENTE MORRE?"

"O QUE ACONTECE COM O PENSAMENTO
QUANDO A GENTE MORRE?"
Erivelto Reis
Antes que os leitores se apressem em supor que o cronista esteja buscando uma atuação no campo da filosofia, é necessário que se diga que esse questionamento não é dele. Nem de um filósofo grego ou do Dalai Lama. Essa frase é da Nathalia, uma menina de apenas cinco anos, filha de um casal meu amigo.
Sobre o tema da morte, incontáveis autores debruçaram-se (alguns com veemência)... até que cessaram. Por coincidência, quando...
Cassiano Ricardo escreveu que “desde o momento em que se nasce já se começa a morrer”; Manuel Bandeira, especialista em “viver morrendo” e em descrever tal agonia, refere-se através de eufemismos à “Dama Branca”, fala sobre “a indesejada das gentes”, a “iniludível” ou sobre pessoas que “adormeceram profundamente”; no poema “Aniversário”, Drummond nos surpreende ao rimar a morte com seu eufemismo “porta”; Mario Quintana idealiza a fatalidade, desejando que ela chegasse como “um céu que pouco a pouco anoitecesse”, sem que suas vítimas se apercebessem.
Mas, sobre o que acontece com o pensamento, sou obrigado a reconhecer diante do leitor a minha inaptidão em recordar de poemas sobre o assunto. Possivelmente eles existam, pois os poetas se ocupam sempre daquilo que há e também do que haverá. O poeta nota a falta que algo nos faz, antes mesmo que nós. Certamente os filósofos e os teólogos devem ter explorado o tema ao máximo... É pensar muito sobre o pensamento!
O inusitado questionamento tem o mérito de denunciar (involuntariamente) a imperceptível sombra sobre as cabeças daqueles que amam e daqueles que fingem não saber amar: a volúpia do tempo que nos consome. E, não há forma de explicar a quem se perde dos que ama, não o itinerário, mas a ausência do pensamento tornado real através de boas ações e de gestos de carinho. Deitar todo um rosário de dogmas e doutrinas; crer num paraíso prometido são paliativos para a constatação da extinção do pensamento, ausência do sorriso, lembrança das mãos hirtas e o nunca mais...
"O que acontece com o pensamento quando a gente morre?" É a leitura pertinente de um fato de que poucos se dão conta: só nós sabemos como nos relacionamos com o que somos e o que pensamos ser. E como o que pensamos ser nos fará falta quando não formos mais nada. Clarice Lispector sabia disso. E usou a sua Macabéa para nos alertar: “Eu vou sentir muita saudade de mim quando eu morrer”. Cecília Meireles também sabia: “(...) sei que estarei mudo, mais nada”. E o poeta Alphonsus Guimaraens Filho foi categórico quando afirmou: “Se não for pela poesia, como crer na eternidade?”
Meu amigo, não perca seu tempo. Eduque-se e condicione-se aos bons pensamentos, aos bons sentimentos e às boas ações. O exemplo das notáveis personalidades citadas anteriormente, permanecerá para sempre, na medida em que aqueles que foram tocados por suas palavras presenciais, literárias, ou surgidas como inspiração criativa (como no caso da nossa querida Nathalia), servirem para prestarmos honras ao pensamento daqueles que não estão mais conosco. Viva sua vida intensamente. Produza, nem que seja um sorriso. Alimente seu espírito com bons livros, bons quadros e bons filmes. Se tudo isso parecer distante do seu mundo, haverá sempre um pôr-do-sol, e “as palavras sinceras que um amigo nos diz”, que poderão fazer você mais feliz.
Pensar e amar são verbos de fácil conjugação. Perdoar e lembrar também. Esse é o legado que podemos transmitir pra alguém. Fazer em nossa jornada o melhor que pudermos, resistir ao mal que julgávamos inerente e saber que o passado nos ajuda a olhar pra frente. Os que passaram por aqui agradecerão imensamente.
O Pensamento e a Alma são como Adão e Eva, no que concerne à criação: Aquele que os criou os tem na palma da mão. E ao se extinguirem os guarda em seu coração. É esse o nosso destino! (?) Agradeço a você que me leu até aqui e agradeço à pequena Nathalia, que olha para a vida “com os olhos de quando éramos meninos”.

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