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Poeta - escritor - cronista - produtor cultural. Professor de Português e Literaturas. Especialista em Estudos Literários pela FEUC. Especialista em Literaturas Portuguesa e Africanas pela Faculdade de Letras da UFRJ. Mestre em Literatura Portuguesa pela UFRJ. Nascido em Goiás, na cidade de Rio Verde. Casado. Pai de três filhos.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Posso Saber Qual é a Sua?

Posso Saber Qual é a Sua?
Erivelto Reis




Está chegando o dia Internacional da Mulher e eu fico pensando no velho bordão que, vez por outra, ouvimos alguém repetir quando se esquece de alguma data comemorativa: “Mas, e todo dia não é dia da... / do... / das... / dos...?” (Complete as reticências com as datas que você mais esquece!).
Amigos, não se iludam: dia de alguma coisa ou de alguém é pra ser comemorado e reverenciado no dia marcado. Porque se alguns esquecem de prestigiar uma data, no dia que é determinado pra comemorá-la, quem garante que irão lembrar-se nos outros dias em que não se comemora oficialmente?
Daí, a pergunta contundente presente no título.
Posso saber qual é a sua posição no que se refere às mulheres?
Há que se amar as mulheres. Amar de forma ampla, desinteressada, entendendo-as e respeitando-as como seres divinos que de fato são.
Há homens que dizem: “minha mulher é um anjo. Pra voar só faltam as asas!”; e outros que, seguindo quase a mesma linha de raciocínio, são capazes de afirmar: “pra minha mulher voar, só falta a vassoura!”.

Onde já se viu uma coisa dessas?!

Sei que a Mulher está cada vez mais independente e ser ou não casada, não é uma questão fundamental para sua independência. Mães, Filhas, Avós, Esposas e demais papéis familiares e sociais... Ser Humano!
Sei que o Brasil está deixando de ser um país machista. E está se tornando um país em que os homens estão empenhados em valorizar a grandeza e a importância da mulher. E se não estiverem, que tal começar agora?!
Imaginem a cena: a esposa assistindo à novela, (dois dias já com o mesmo short; sem se depilar, o equivalente a não fazer a barba – excetuando-se as questões de gosto, que gosto não se discute!), pedindo um suco, ou uma cerveja ao marido, que resignado e bem disposto, vai até a geladeira pela décima vez, enquanto ouve o romântico pedido feito aos berros: “Amoooor, traz um tira-gosto aííí!!!”; ao mesmo tempo em que torce pelo protagonista ou por sua personagem preferida. “Vai Juvenal, se declara logo pra Alzira! Evilásio, casa logo com a Júlia! Maria Paula desmascara o Marconi Ferraço!” – se você assiste a outras novelas, perdoe-me a ignorância novelística! – e assim, quando o pobre marido exausto, percebe que acabou o capítulo daquele dia e se prepara para um carinho nos braços da mulher amada, eis que ela joga uma blusa amassada e suada em cima dos ombros e diz: “vou sair pra comentar o capítulo com as minhas amigas!”...
Imaginar que a mulher seja capaz de tais atitudes pode parecer deslocado, incorreto, e, mesmo essa analogia entre o homem e o futebol e entre a mulher e a novela, pode soar meio machista. Supor que em pleno século XXI existam coisas exclusivas e inerentes apenas aos homens ou somente às mulheres é ser antiquado.
Hoje, não há nada que as mulheres não façam. Me sinto tentado a completar: “tão bem quanto os homens”, mas não o faço porque sei que há homens que não fazem nada direito... E também por ter a plena convicção de que a evolução da humanidade não deve sustentar-se numa guerra entre os sexos, numa competição tola e cujo propósito não determina quem ganha, porque todos perdem quando um ser humano inferioriza a seu semelhante mediante qualquer tipo de critério.
Certo é que algumas das coisas mais importantes da vida se nos expressam as suas idéias por serem substantivos femininos. A propósito, a poeta Maria Rezende escreveu: “(...) O amor a gente carrega. / O amor é de cada um / substantivo feminino / de conjugação comum”. Querem exemplos? Cito-os: a vida, a água, a Terra, a natureza, a esperança, a sorte, a luz, a emoção, a saudade, a felicidade, a paixão, a alegria, a saúde, a paz, a verdade, a justiça, a democracia, a honestidade, a inteligência, a beleza, a delicadeza, a perseverança, a fé, a fraternidade, a caridade, a arte, a educação, a cultura... E por aí vai.
Mulheres operárias, donas de casa, empresárias, artistas, desempregadas, professoras, estudantes... Profissionais de todas as áreas. Exercer uma profissão é um papel importante, fundamental. Mas ser mulher é um dom divino. Parabéns, Mulheres!
Pela lembrança de todas as que lutaram e construíram esse mundo (ou que impediram que ele fosse pior do que é), pelo futuro das gerações vindouras... A todas as mulheres, minha homenagem presente.

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