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Poeta - escritor - cronista - produtor cultural. Professor de Português e Literaturas. Especialista em Estudos Literários pela FEUC. Especialista em Literaturas Portuguesa e Africanas pela Faculdade de Letras da UFRJ. Mestre em Literatura Portuguesa pela UFRJ. Nascido em Goiás, na cidade de Rio Verde. Casado. Pai de três filhos.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

SEPARAÇÃO

SEPARAÇÃO
Erivelto Reis





Ele chega à porta da casa da ex-mulher. A separação é recente. Toca a campainha e aguarda. Lá dentro ela já sabe que é ele. Os ressentimentos são muitos, e os encontros têm que ser muito bem elaborados e programados.
– Trouxe meu filho? – Ela pergunta.
– Está no carro. Eu vou buscá-lo. – Ele responde.
– Não precisa, eu mesma o pego.
– Você está querendo é afastá-lo de mim, isso sim!
– Não vai começar com essa maldita história outra vez. Você sabe que ele é meu por direito. E é a mim que ele ama.
– Você sempre quis mimá-lo mais do que devia. E esqueceu que dentro do nosso relacionamento havia outros sentimentos que teriam que ser avaliados e reconhecidos. Eu também o amo. Mas não com esse sentimento mesquinho e possessivo que você tem.
– Ah, agora eu sou possessiva?! Mas na hora que ele ficou doente, eu é que cuidei dele. Nos domingos pela manhã, eu é que o levava ao parque para brincar, Levava-o ao calçadão, à praia e as festas dos seus amiguinhos...
– Você praticamente me impedia de levá-lo ao campo comigo, com medo que ele tomasse uma bolada ou que se machucasse.
– É porque você nunca deu carinho suficiente nem pra mim nem pra ele. E se você fosse negligente só comigo, eu ainda poderia suportar. Mas o descaso com relação ao meu filhinho, isso é que eu não ia permitir.

– Até psicólogo você me fez pagar para ele. E ele só tem quatro anos. Eu fiz todas as coisas que um pai poderia fazer por um filho...
– Você e esse seu insuportável materialismo. Abre a porta desse carro agora! Vem, meu filho, vem com a mamãe, vem!
– Era de se esperar que você se comportasse dessa maneira. Querendo fazer de mim um monstro sem coração. Você nunca me respeitou. E negou os meus direitos como pai. Eu deveria ficar mais tempo com ele em nossas visitas. Passar os fins-de-semana... Essas coisas!
– Pai não é aquele que faz. Você já deveria saber disso! E nesse caso você nem fez nem criou o meu filho!!!
– Você é muito baixa mesmo! Como você pode me jogar na cara que eu não fiz o nosso filho. Você também não o fez!
– Mas o adotei, criei e o eduquei como se fosse. Já você, nem a isso se dignou.
– Quer saber de uma coisa? Eu vou embora, e você não perde por esperar, porque eu vou mandar o meu advogado entrar em contato com o seu, e vou lutar pela posse do meu filho. Passe bem! Tchau, meu filho, papai volta semana que vem!
O homem se despede, deixando a mulher furiosa à porta de casa; os vizinhos inconformados e horrorizados ante a discussão. E o cachorro, pivô da separação, dito filho do casal, fazendo cocô na calçada, alheio a qualquer problema.

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