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Poeta - escritor - cronista - produtor cultural. Professor de Português e Literaturas. Especialista em Estudos Literários pela FEUC. Especialista em Literaturas Portuguesa e Africanas pela Faculdade de Letras da UFRJ. Mestre em Literatura Portuguesa pela UFRJ. Nascido em Goiás, na cidade de Rio Verde. Casado. Pai de três filhos.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

UMA HISTÓRIA DE AMOR NO CALÇADÃO

UMA HISTÓRIA DE AMOR NO CALÇADÃO
Erivelto Reis



Descendo o calçadão de Campo Grande em direção à estação vinha vindo o que poderíamos entender como o projeto para um futuro casal. Ele, insistente e galanteador. Ela, ligeiramente interessada, mas disposta a fazê-lo demonstrar suas reais intenções. Ainda em frente ao caixa eletrônico, ele dizia que nada no mundo valia mais que a beleza dos olhos dela. Nesse instante pararam porque ela percebeu que estava sem uma das lentes. Passaram no McDonald’s, ele propôs tomarem um sorvete, mas ela, desatenta, olhava pro futuro, que no caso em questão, era a vitrine das Lojas Americanas. Sentiu-se um pouco constrangida por ser ela uma nacionalista. Mas não havia escolha, as Lojas Brasileiras haviam fechado já há algum tempo. Pelo menos havia as Casas Bahia, que faziam de sua casa um Superlar. Outrora Ultralar, mas nem tudo na vida é lazer. Ela bem o sabia. Na porta da Tock, ele sentiu que seu coração batia forte – fazer o quê? A paixão é mesmo Impecável!!! Ela, contudo, fazia-se de desentendia e sem mais nem menos começou a soluçar. Ele apelou pra São Brás, mas por via das dúvidas, convidou-a a entrar numa farmácia. Ela não o ouviu direito, mas farmácias, óticas e buracos são muito comuns nas ruas de Campo Grande. Por isso foram na onda do Povo: entraram na Pacheco. Ele, um jovem estudante. Ela, também, só que estudiosa. Ele, apaixonado. Ela, apressada. Ele sugeriu irem ao Passeio. Queria um lugar mais tranqüilo para que pudessem conversar. Ela imaginava se encontraria o livro que procurava no Sebo do Pepeu, e se algum dia a Rodoviária seria um lugar mais limpo e organizado... Ele contava vantagem: dizia ser o Rei do Mate, futuro gerente da Silbene, funcionário do CIEZO, membro do ICC, diretor da Guaracamp (o rapaz era pretensioso!). Ela se perguntava se por uma infeliz coincidência, não estariam todos os fumantes da cidade reunidos na praça de alimentação do Passeio. Pensou em falar a respeito com o Poeta Paulo D’Athayde, que ela acabara de avistar no calçadão, mas desistiu quando percebeu que teria que entrar na fila... O rapaz, num ato de desespero, convidou-a a entrar numa loja de um e noventa e nove, que é freqüentada por noventa e nove de cada cem pessoas que vêm a “Big Field”, fenômeno que se repete no caso das lojas de “salgado e suco por apenas um real”. Ela, que nesse momento se desviava de uma mãe que batia num filho, de uma bandinha de música, de um garoto que distribuía panfletos e de mais uma das inúmeras bancas colocadas irregularmente às portas das lojas, disse a ele que poderiam se encontrar no West Shopping, numa outra ocasião e desculpou-se porque até aquele momento não havia escutado uma só palavra do que ele dissera. Despediram-se... Mais uma possível história de amor que não se concretiza, devido ao barulho ensurdecedor que prevalece nas ruas do centro de Campo Grande!

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