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Poeta - escritor - cronista - produtor cultural. Professor de Português e Literaturas. Especialista em Estudos Literários pela FEUC. Especialista em Literaturas Portuguesa e Africanas pela Faculdade de Letras da UFRJ. Mestre em Literatura Portuguesa pela UFRJ. Nascido em Goiás, na cidade de Rio Verde. Casado. Pai de três filhos.

domingo, 20 de junho de 2010

Artes Plásticas e Poesia no Clube Militar - RJ

Autor da Obra: Claudio Oliveira - RJ
Título: "Abstrato"
Poema: Vitral - Erivelto Reis - RJ
Curadora da Exposição: Edy Silveira
Data: 22 a 30 de junho de 2010
Centro Cultural do Clube Militar do Rio de Janeiro

EXPOSIÇÃO COLETIVA NO CENTRO CULTURAL DO CLUBE MILITAR DO RIO DE JANEIRO.
22 A 30 DE JUNHO DE 2010.
Endereço: Avenida Rio Branco nº 251, centro RJ - Em frente do Teatro Municipal do RJ. - Brasil



Vitral
Erivelto Reis
Para Nilton Silva

A rosa de vidro
O sol de estanho
O olho castanho
Do tempo perdido.

O verde esperança
No terno de linho
Cálice de vinho
Embriaga a lembrança.

A rosa dos ventos
Vitral de ir embora
Reflete por fora
A dor do de dentro.

Nos traços do artista
A arte que acalma
Nas linhas da vida
Mosaico de almas.

domingo, 13 de junho de 2010

Uma foto de 2008

Erivelto Reis - fotografado por Gloria Regina

segunda-feira, 7 de junho de 2010

EXPOSIÇÃO DE POESIA E ARTES PLÁSTICAS

Sob a batuta da Artista Plástica e Produtora Cultural Edy Silveira, acontecerá saguão do aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, de 01 de julho a 01 de agosto de 2010, uma exposição que mescla poesia e artes plásticas. A ideia é simples: poetas são convidados a ilustrarem com poemas as obras de artistas plásticos selecionados para a exposição. A exposição é gratuita e fica aberta 24h por dia. Não percam.
A tela a seguir é do Artista Plástico Gérson, do Rio de Janeiro e o poema que a ilustra - "Crusoé" de Erivelto Reis, é inédito.



Poema de Erivelto Reis
Sobre a tela do Artista Plástico “GÉRSON”
– Rio de Janeiro – RJ

CRUSOÉ
Erivelto Reis - RJ


Não há bússola, barco, casa,
Válvula, remo e vela,
Rede, remendo, parede e janela
Que impeçam o sonho de naufragar,
Quando o amor acaba.
Ninguém desata o nó,
E a areia parece ser solidão em pó...
O mar é coletivo de distância e de profundidade,
É espelho do céu, que a gente diz que é saudade.
A dor é mágoa e fel
Que tanto mais mata de sede
Quanto mais deságua,
Quanto mais faz carga, barril e tonel.
No horizonte do sonho que naufraga,
Os olhos marejam o convés da cara...
E a gente sabe que tem âncora nos pés
Ao invés de asas.





MULTIPLUS "ARTES COM POESIAS”
Artistas, Compositores e Poetas
I SALÃO DE ARTES PLÁSTICAS DA CIA EDY ART
AEROPORTO SANTOS DUMONT – RJ
01 de Julho a 01 de agosto de 2010
Curadora e Produtora Cultural Edinira Silveira

domingo, 6 de junho de 2010

Foto da quarta capa do meu segundo livro

Essa foto é de novembro de 2006.
Está na quarta capa do meu livro Somos.

Foto do dia da minha formatura

Português-Literaturas
FEUC -
1ª turma do Curso de Letras do turno da manhã

Utopia

Utopia
Erivelto Reis


O que é pra ser,
Será sempre.
Não importa o tempo
Que durar.
Um minuto pode ser
Guardado eternamente...
Uma vida em branco,
Pode em prantos se acabar.
Sendo um trabalhador,
A mente pode voar.
Sendo um sonhador,
O mundo pode mudar.
Sendo criatura,
Confunde-se
E torna-se
Criador de sentimentos
Que mexem com toda a gente...
Sendo planta,
Desabrocha como flor!
Eis sua missão:
Sendo pássaro,
Espalhe as sementes.
Sendo criança,
Semeie o amor.

O Delírio de um Poeta

O Delírio de Um Poeta
Erivelto Reis

Por onde passei, ouvi mágoas.
Transformei-as: Belas!
Embora, muitas delas
Eu não pudesse compreender.
Por onde passei, ouvi gritos.
Histéricos, ridículos...
Que então, trouxeram
Aos meus sentidos,
A agonia de viver!
Por onde passei, deixei marcas,
Aos poucos, ofuscadas
Pela brilhante luz dos tempos!
Fui muito longe...
Estive em quase todos os lugares,
Em quase todos os momentos.
Fui a lágrima de um palhaço...
Do fim, fui eu o adeus!
Do lutador, fui o cansaço.
Do espelho, fui a imagem.
Do amor, fui a paixão.
Do amigo, o inimigo...
Do corpo, o coração!
Da vida, eu fui a morte.
Dos maus, eu fui o bem.
Do passado eu fui presente.
Do azar, eu fui a sorte.
E da ausência, eu fui ninguém...

Da noite, eu fui o medo.
Dos olhos, fui a retina.
Do ódio, eu fui o perdão...
Das drogas, fui cocaína!
Por onde passei,
Eu vi moças
Alegres e soltas,
Que de tão fúteis,
Sequer descobriram
A dor de não ter como ser!
Eu sempre segui meu caminho
Pisando em espinhos...
Vago à sombra da luz
Sem ter ninguém
Para me acompanhar,
Nem retirar as duras pedras
Da estrada...
Sei que vou morrer,
Por isso eu quero lhe dizer,
Que tentando ser tudo na vida...
(Hoje eu sei!)
Eu não fui nada pra você.

Convenções

Convenções
Erivelto Reis

Não me julgues
Pela aparência,
Que todos sabem,
É ilusão fugaz!
E os elogios
Que me fazes agora,
Já foram feitos
A muitos outros mais.
Não me releves a palavra
Amena,
Que a ti pareça
Bela e trivial...
A elegância da minha
Discordância
Pode caber numa frase banal.
E a ti eu quero prevenir:
Não te apresentes
Tal e qual “estrela”,
Pois o orgulho
Pode te iludir!
Já que o brilho
Da verdadeira estrela
Que vês no céu,
Há muito tempo
Deixou de existir.

Capa do meu primeiro livro

Poesias Sem Rima
Lançado em 12 de junho de 2004.
Prefácio de Primitivo Paes
Orelhas de Marly Monte e Neide Amback
Revisão: Neide Amback
Quarta capa: Rita Gemino
Concepção de capa: Erivelto Reis e Gloria Regina
Foto de capa: Meus filhos Allynie, Erick e Ian.
Sem Rima nesse contexto significa:
Sem igual, o sentimento de quem experimenta a poesia,
aqueles que nos são caros e importantes.
PS: "Sem Rima" é o título de um poema,
mas os poemas do livro têm rimas.




Sem Rima
Erivelto Reis

Agora chega,
Não vou mais rimar pra você!
Não serei mais o apaixonado
- Sonhador incompleto -
Que vive sonhando
Em viver ao seu lado.

Deixarei de olhá-la,
Ainda que me custe
A dor de uma paixão.
Deixarei de falar com você,
Ainda que meu coração
Fale mais alto...

E apesar de tudo,
Meu amor, eu lhe juro
Que nada mais neste mundo,
Vai me fazer rimar pra você.

Seguirei sem rumo,
Apesar de conviver com você.
Passarei noites em claro,
Apesar de sua doce lembrança.


Mas amor, eu lhe juro
Que não há nada mais
Neste mundo,
Que vá me fazer rimar
Pra você.

A minha louca decisão,
Nem você pode entender.
Mas eu sinto que ela
Pode impedir
Que eu continue a sofrer.

Porque você é o meu amor...

Você é a luz que me ilumina!

Por isto, eu lhe peço,
Neste último momento,
Me deixe quebrar o juramento
E me despedir com uma rima!


Erivelto Reis - Fotos

Foto 1 - Ciranda Cultural - Por Hugo Gruenwald









Foto 2 - Ciranda Cultural - Pelo saudoso amigo Poeta e Jornalista Nilton Silva



Foto 3 - Primitivo Paes e Erivelto Reis na Casa Dourada em 2008

quinta-feira, 3 de junho de 2010

PERDA PREMATURA DA POESIA

PERDA PREMATURA DA POESIA
Erivelto Reis
Confessar o pecado de deixar
Passar em branco
Toda a idéia de uma trova,
De um soneto ou de um simples verso
E assim admitir-se perverso
Remoer o remorso de amar
Uma arte que não se deixa dominar
A Poesia não aceita coleira,
Enforcadeira ou mordaça,
Ela morde e arranca emoções
Por onde passa
Fazendo o Poeta ser seu refém e comparsa.
Lamentar a falta de caneta,
Pedaço de papel...
Amaldiçoar o excesso de inspiração
Quando não se tem
Nem se quer um gravador à mão.
Tentar convencer-se
Que a Poesia veio em hora errada,
Por ter vindo em meio às lágrimas
Ou então, de madrugada!
E conformar-se com essa perda
Para a vida inteira
E recordar o nosso grande
Manuel Bandeira
− Um Poeta Semi-Deus... −
Pensando na Poesia que podia ter sido
E que não foi,
No verso abortado, que podia ter nascido
E não nasceu.

MEU TESTAMENTO

MEU TESTAMENTO

I
Deixo para os meus amigos
A vida que eu gostaria de estar vivendo
Deixo a vida, meus amigos
Deixo amigos, vida minha?

Deixo para os meus poemas
As mais belas rimas
As que me fizeram bem apenas
E que me fizeram dar a volta por cima...
É que as encontrei − todas −
Nos versos de diversos outros Poetas.
Mas, mesmo assim eu tentei!

Para a mulher que amei
Deixo a certeza
De que a amei o mais que pude
E apesar desse meu jeito meio rude
Peço que entenda, por favor,
Que esse testamento
É minha última e menos íntima
Declaração de amor.

Para os meus filhos
Deixo a alegria que eles me emprestaram
Desde o dia em nasceram até aqui
E que me fez um homem mais feliz!
Deixo o agradecimento
Por todos os bons momentos
Que eu já passei
Expresso como último desejo
Na Poesia mais triste
Que eu jamais criei.

II
As contas que eu não paguei
As desculpas que eu não pedi
Ou as que não aceitei
Os caminhos que eu não trilhei
Os trabalhos que eu não concluí
As fotos que eu não revelei
A ausência repentina do Luiz
Os pecados que eu não cometi
As piadas que eu não entendi
Os sonhos que não realizei
O medo de altura
O excesso de gordura
O pavor da solidão
Os olhos do meu pai
A timidez da minha mãe
E os meus três irmãos.

III
Parto de peito entreaberto...
Deixando:
Os livros não lidos
E os mais relidos
Os discos do Roberto
Poesia com “P” maiúsculo
Toda a Poesia do Primitivo e do Bandeira
A saudade de Domira
A injustiça sem reparo
Com o Simonal e o Erasmo
Digo adeus ao marasmo,
À ironia e ao sarcasmo.
Entre uma ponta de amargura
E uma outra, de esperança:
A vontade de ter tido outra infância.

IV
Despeço-me, nesse dia,
De tudo aquilo
Sem o qual eu não viveria:
A Família, a Palavra,
A Saúde e a Poesia...
Tudo tão real e abstrato
Quanto o Saber, o Sentir,
O Silêncio, a Paz,
A Democracia
E o Pensamento...
Por isso a beleza da vida
Por isso essa despedida
Por isso essa melancolia
Por isso esse lamento!

EU QUERO A GLORIA

Minha esposa Gloria Regina.
Eu Quero a Gloria

Erivelto Reis

Eu quero sentir
O sabor que a Gloria tem
Eu quero beijar os seus lábios
E tê-la sempre na memória
Quero melhorar todo dia
Escreverei mil poesias
Para conquistar a Gloria.

Eu quero ficar na História
Nas páginas dos livros, dos jornais
Eu e a Gloria
Sempre juntos
Como exemplo dos amores triunfais.

Não quero contar vantagem
Ou acumular vitória
Eu quero a Gloria
Só a Gloria

Só a Gloria
E nada mais.

Quando

Quando
Erivelto Reis


Quando eu morrer,
tenho certeza de que a poesia
não vai morrer comigo.
Mas ela perde um amigo!
Perde um amigo...

Os Fantasmas

OS FANTASMAS
Erivelto Reis


É hora de voltar pra casa
E encarar os meus fantasmas
O medo estava em meu caminho
E a solidão cantava
É hora de encarar os fatos
À mesa os velhos retratos
Reler os livros de Poesia
É só o que eu queria
Eu encontrei pessoas tristes
Iguais às velas derretidas
Revi parentes invejosos
Tias esquecidas
As sombras nas velhas paredes
Decorrem da grande umidade
As sombras em minha memória
São manchas de imensa saudade
A casa estava tão cheia
Mas nunca esteve tão vazia
Lembrei-me de meu pai
Dizendo que eu voltaria.
Eu fui viver a minha vida
E apesar do que passou,
Confesso que não tive sorte
Quem sai sem nem dizer adeus
Retorna pra encontrar os seus

Mesmo depois
De encontrar a morte.

CRÔNICO

CRÔNICO
Erivelto Reis


Já fui lúdico, hoje, súbito
Fiquei prático
Já fui ávido, mas o pânico
Fez-me pálido
Fui romântico, pra meu espanto
Fiquei sádico
Já fui cinéfilo,
Hoje em dia estou reumático

Já fui cômico
Hoje em dia, apenas trágico
Já fui artístico,
Hoje em dia, apenas crítico
Fui emblemático
Hoje, apenas problemático
Já fui poético
Hoje em dia sou patético

A vida é assim, seu moço:
Ontem — no topo do mundo
Hoje — no fundo do poço.

SOMOS

SOMOS
Erivelto Reis
Somos tudo aquilo que desejamos ser!
Somos expressão verdadeira
Daquilo em que nós pensamos
E as coisas em que acreditamos,
(Frutos de nossa imaginação ou não!),
São, na verdade, ecos de esperanças e ressentimentos...
Somos o dom da vida em movimento!
Somos feitos de traumas, neuras,
manias, medos e outras hipocrisias.
Nosso aprendizado é inconsciente
e o nosso passado é sempre o culpado por nossos erros!
Não pertencemos a ninguém,
Quer seja por laços de amor ou remissão através da dor!
Carregamos o fardo do pecado sobre nossas cabeças.
Pecado que nada mais é,
do que o conjunto de nossas expectativas,
o medo de torná-las reais, ou a frustração
por tê-las realizado em momentos
pouco favoráveis!
Vivemos pregando aos outros
a liberdade que nos atemoriza...
Fingimos semear um amor que não nos redime,
porque não é verdadeiro!
Temos a tola precaução de adaptar o mundo
à nossa imagem e semelhança
e queremos, sempre,
que as pessoas façam aquilo que nos convém.
Somos reflexos no espelho invisível
de uma existência sem início, sem meio e sem fim...
Somos o dom de pensar e criar
fracionado em inúmeros sentidos.
Alguns aos quais nós desconhecemos
mesmo quando os praticamos e que,
mesmo sem entendê-los, estão lá...
porque alguém os pôs ali!
Somos espelhos que se quebram
e se dividem em milhões de novas imagens,
em milhões de novos reflexos...
Em milhões de novos pontos-de-vista!
Não somos carma, não somos cruz,
Não somos Cristo
A outra face que temos,
Está voltada pra dentro
E oferecê-la é muito mais que uma
Questão de fé!
Não somos emanações, encarnações,
ressurreição, reencarnação,
energia positiva ou negativa...
Não somos fanatismo,
nem sincretismo, nem ceticismo.
Não somos místicos, mitológicos,
atemporais ou anacrônicos...
Nem racionais, nem instintivos,
nem agnósticos, nem antagônicos...
Não somos célebres, nem plebe,
nem pobres, nem ricos.
Nem premonitórios, nem intuitivos,
nem contemporâneos, nem Primitivos!
Não somos capazes de viver unidos,
porquanto ainda não sabemos viver sós!
Somos expressão verdadeira
do que sentimos e cremos.
Até que um dia, sem mais nem menos,
por acaso ou por destino,
haveremos de deixar de existir!
Porque nós não sabemos
quem ou o quê somos,
mas aos poucos,
começamos a perceber
com clareza
o que não somos...

Caricatura de Erivelto Reis

Erivelto Reis
Caricatura criada pelo designer Fernando Teixeira.
Consta do Livro Personalicaturas 3 - Lançado dia 29-5-2010 na FEUC
Autores: Nancília Pereira e Fernando Teixeira.