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Poeta - escritor - cronista - produtor cultural. Professor de Português e Literaturas. Especialista em Estudos Literários pela FEUC. Especialista em Literaturas Portuguesa e Africanas pela Faculdade de Letras da UFRJ. Mestre em Literatura Portuguesa pela UFRJ. Nascido em Goiás, na cidade de Rio Verde. Casado. Pai de três filhos.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Poema: Minha Vida - de Erivelto Reis

Minha Vida




Minha vida é o alarde

Dos sustos que a emoção me prega

É um DVD que não pega

Um devedor que não paga

É a fé cega, a faca afiada

Minha vida é o meu passo de Jeca

É a última música do LP

O bug do HD

O chuvisco da TV

Minha vida é ouvir o horóscopo distraído

É minha zona de conflito, minha trincheira de conforto

É tudo que entra por um ouvido e não sai pelo outro

É ficar calado, é pedir desculpa

É marejar os olhos e viver só

Chorar com saudades da avó.



É não ter amigos

É perder amigos

É não ter razão



Minha vida é olhar a chuva

Que molha as folhas da melancólica palmeira

É ficar na fila, é de segunda-feira

É reconstruir o muro, é não sair do chão

É alugar casulo para a solidão.



Minha vida é colecionar e-mails

É perder cabelo

É dor no joelho

É ter pesadelo

É passar calor





Minha vida é a procissão

Que leva o andor de um santo de figuração

Asa de milagre que não se insinua

É voltar pra casa e viver na rua

Minha vida é o esboço

Do que ela seria

É namorar a prosa

É amar a poesia

É o lado de fora da academia

Minha vida é sonhar com aquilo

Que eu jamais vivi

A ordem dos livros que eu não li

É viver correndo

Pra fugir de mim.

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