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Poeta - escritor - cronista - produtor cultural. Professor de Português e Literaturas. Especialista em Estudos Literários pela FEUC. Especialista em Literaturas Portuguesa e Africanas pela Faculdade de Letras da UFRJ. Mestre em Literatura Portuguesa pela UFRJ. Nascido em Goiás, na cidade de Rio Verde. Casado. Pai de três filhos.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Poesia de Michel Melamed

rio de janeiro,


menos 20 graus.

os patinadores cavalgam parelhos no espelho de gelo da lagoa.

o cristo redentor,

quase irreconhecível

assim,

com a neve cobrindo-lhe

o dorso das mãos pés braços ombros cabeça...

não fosse a justa localização e tamanho

poderia se suspeitar que fosse outrem ali:

um king-kong petrificado no apogeu da escalada;

uma esfinge, de pé, propondo a pantomima do seu enigma;

a estátua da liberdade − renunciando à tocha,

os braços semi-erguidos como asas, livre;

quiça a torre eiffel obesa

ou mesmo um patético espantalho gigante afugentando o sol...

a neve tomba sobre a cidade.

queda lentamente escorada pelo absoluto silêncio,

este silêncio hibernado há mais de quinhentos anos,

lapidando as hélices dos flocos

para o desbunde branco.

casais sobre esquis descem o pão de açúcar.

na baía de guanabara um pai puxa o filho no trenó.

pinguins aplaudem a aurora boreal no posto 9.

vai mesmo que o pau-brasil cisma desbotar na polônia

e uma ave gargarejar na rússia.

uzbequistão e suas palmeiras do mangue...

sibéria 40°...

hoje,

aqui,

são as neves de março que fecham o verão.

e promessa nenhuma.

nunca mais.







MICHEL MELAMED − in regurgitofagia, pág.105 − Ed.Objetiva

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