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Poeta - escritor - cronista - produtor cultural. Professor de Português e Literaturas. Especialista em Estudos Literários pela FEUC. Especialista em Literaturas Portuguesa e Africanas pela Faculdade de Letras da UFRJ. Mestre em Literatura Portuguesa pela UFRJ. Nascido em Goiás, na cidade de Rio Verde. Casado. Pai de três filhos.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Crônica: Seu nariz é bonito, mas alguém pode quebrar - Erivelto Reis

SEU NARIZ É BONITO, MAS ALGUÉM PODE QUEBRAR!


Erivelto Reis

Vaidade. Não conheço gente sem vaidade. Vai ver até exista, só que não faz parte do meu mailing, não está na minha lista. É um encher-se de si, orgulhar-se de algo tido, entendido ou percebido como uma distinção, um dom, uma qualidade, uma característica, senão única, tornada, por quem a possui, em algo bem especial.

O jeito do vaidoso é logo motivo de atenção. Destila modo e elegância, causa e consequência, erudição e eloquência, valor e permanência, poder e excelência, altivez e competência, auto-estima e ambivalência, produção e procedência. Seu nariz é tão bonito, mas alguém pode quebrar. Não que haja, pela vaidade em si, merecimento para quebra que, mais cedo ou mais tarde, sempre há; mas do uso que se faz dela. A vaidade é uma eterna pedrada só esperando pela janela.

Vamos evitar a fantasia: todo mundo gosta de viver e de se sentir bem. Tentar falar sobre alguma coisa não é fazer apologia. A vaidade é um molho na salada pop que se tornou a vida do século XXI. Há quem viva a vaidade do sonho pop (de popularidade), com discrição, no dia a dia, mas a liberte no mundo da internet, no ambiente virtual. Seja em salas de bate-papo, em blogs, no Facebook, – vaidade de encontrar todo mundo a hora que se quer, de ser mais conhecido, mais descolado, mais filosófico, mais antenado, mais engraçado, mais revoltado... de propagar informações em primeira mão, de poder escolher muitas máscaras para emprestar para a mesma solidão. Outros, ainda, consomem nas revistas e nos jornais a vaidade de quem se sobressai.

Vaidade de si para si mesmo, talvez não seja pecado, apenas um dado de personalidade, pitoresco, para ser observado. Mas a vaidade do poder, utilizado para maltratar o povo, por políticos com a vaidade da ostentação de possuir o poder e de não utilizá-lo para servir ao seu eleitorado é um tipo de vaidade que ainda mantém o nosso país acorrentado. A vaidade não deve ser utilizada para oprimir, corromper, denegrir, humilhar, menosprezar. A vaidade não é um substituto de competências e capacidades, mas tem gente que tem vaidade por ter a habilidade de se auto-impingir qualidades que não possui. Esse tipo de vaidade é o cupim que rói o castelo que rui.

Escritor também tem vaidade. Artista, então, nem se fala. A vaidade do professor e a dignidade da sala de aula. Cada um tem a vaidade que merece ou deveria merecer. A vaidade da simplicidade não é tão comum, mas pode haver. A vida de cada um deveria ser a vaidade de todos. Essa esperança é uma verdade que muita gente nega. A vida tem um nariz tão bonito, mas alguém pode quebrar. É preciso, portanto, tentar evitar essa quebra.

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