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Poeta - escritor - cronista - produtor cultural. Professor de Português e Literaturas. Especialista em Estudos Literários pela FEUC. Especialista em Literaturas Portuguesa e Africanas pela Faculdade de Letras da UFRJ. Mestre em Literatura Portuguesa pela UFRJ. Nascido em Goiás, na cidade de Rio Verde. Casado. Pai de três filhos.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Poema: Entre amigos - Erivelto Reis

Entre amigos


Erivelto Reis

Oi, meu amigo.

Não perca seu sorriso espontâneo,

Sua timidez romântica...

Acredite que simpatia recíproca,

Nem sempre é amizade instantânea.

A vida, às vezes prega peças:

E eu quero ver você muito feliz.



Oi, caro amigo,

Não jogue suas opiniões pela janela

Não brigue, machuque e magoe por causa delas.

Deixe claro como você pensa,

Com leveza, gentileza e com promessas

De que a amizade vai fazer superar diferenças.

Nada de ofensas!



Olá, prezado amigo:

Não sou exclusivo e também tenho outros amigos

Mas não o excluo ou o envergonho, se distante.

Mesmo afastados, se amigos,

Ao nos vermos, nos falarmos, nos reencontrarmos,

Nos amamos como antes.



Cuidado, amigo!

Que o silêncio é uma dúzia de surpresas

Não é ausência, sonolência, desprezo,

Divergência, desrespeito, condolência,

Prepotência, inexperiência, inveja,

Arrogância, deselegância ou distância...

Pode ser apenas uma forma de contemplação.



Amigo...

Tenho a impressão que amizade tem disfarces:

É a mão sem tato, confortando sua mão.

É o beijo do vento alcançando sua face.

Como se o tempo entre os amigos não passasse,

Como se a dor não os atingisse,

Como se laços invisíveis os unisse.



Querido amigo,

Os sorrisos são os guizos do amor.

Que haja, em nossa amizade, sempre risos,

Sempre humor. E que você construa o seu caminho,

Com o bem, a verdade e a tolerância sem medida.

Vamos andando, amigo, vamos juntos:

Obrigado por fazer parte da minha vida.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Poema: Lixo - de Erivelto Reis

Lixo
Erivelto Reis

Lixo é bicho humano cabisbaixo?

É moral lá em baixo e ninguém se lixa?

O lixo muda de nome e de forma,

Mas não serve pra matar a fome.

Só se alguém vender, só se alguém comprar:

O lixo é a montanha de sombra

E escombros daquilo que sobrar.


Lixo é algo aceitável, inesgotável, tratável e reciclável,

Só se houver utilidade?

É ficha limpa? Eleição com numeração raspada?

Munição com favas contadas? Tecle o verde e vê se erra.

Aperte o gatilho e confirma?

Duas formas de bala perdida?

A arma empunhada contra a própria vida.

Saudade, tragédia e azar:

O lixo é a montanha de sombra

E escombros daquilo que sobrar.


Se perder e ninguém encontrar, vai parar no lixo?

Indenização por tempo de desserviço?

Vamos acabar com isso.

Direito adquirido agora é lixo?

Corrupção, miséria e lastimar:

O lixo é a montanha de sombra

E escombros daquilo que sobrar.


Sentimento agora é lixo?

Pureza e honestidade, amizade e caridade,

Vão servir para se transformar em embalagem de produto?

É bom você pensar no assunto.

Gentileza virando etiqueta presa ao pé do carinho defunto

Não reconhecido na geladeira do IML.

Canções e poemas de amor varridos

Pra debaixo do tapete em nome do deleite do fácilsexo, do fazsucesso?

Como se não houvesse existido respeito, nexo.

Delete já. Delate já. Recicle já.

O lixo é a montanha de sombra

E escombros daquilo que sobrar.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Pequeno manual do empreendedor autônomo - Crônica de Erivelto Reis

Pequeno manual do empreendedor autônomo


Erivelto Reis

O empreendedor moderno conjuga habilidades, competências e sensibilidade. Está apto ao processo contínuo de avaliação e reorganização de estruturas que o ajudem a produzir os resultados que sejam adequados às suas metas.

O empreendedor moderno é organizado, controlado e produtivo. Trabalha e sabe os níveis pelos quais passa o negócio que tem ou a empresa em que trabalha. Sabe motivar, convencer e interagir com todos os elementos envolvidos na cadeia produtiva. Assume as responsabilidades. Estimula e premia a meritocracia. Quase sempre é premiado por ela.

Pensar no empreendedor como, única e exclusivamente, o chefe, não é dimensionar adequadamente o seu papel. O empreendedor tem senso de oportunidade, independente do cargo que ocupe e das funções que exerça. É um mediador de conflitos, uma ponte entre os interesses comuns. É um negociador que não perde tempo contando dinheiro, vantagens ou insuflando atritos. Ele visualiza, realiza e preconiza ações que movimentam uma engrenagem de realizações e transações favoráveis às atividades que exerça.

O empreendedor moderno discute projetos e não pessoas. Observa atitudes e comportamentos em contextos específicos. Não guarda mágoas para desfiar um rosário de críticas na hora da negociação ou na mesa de reunião. O empreendedor nunca despreza ou se deixa manipular pela informação.

Aqueles, entre nós, que desejam empreender, ou seja, projetar e construir meios de executar os ideais e aferir resultados positivos e significativos com seus projetos, devem ter muito nítida a figura do homem ou da mulher que empreendem, como a de pessoas que são capazes de processar um grande volume de informações de forma racional, crítica e ponderada e, a partir dessa reflexão, decidir e colocar em prática suas decisões;

Ser inventivo, criativo, proativo e autocrítico também ajuda muito. Porém, a autocrítica deve auxiliar a elucidar pontos que precisem ser reformulados, aprimorados nas ideias e nos projetos e não como máquina de implodir que paralise a ação e deixe vazio o lugar que deveria estar sendo ocupado por um empreendimento em construção.

Estabeleça metas que motivem e que não funcionem como desculpas para eventuais fracassos. Empreenda muito. Um abraço.



sábado, 7 de julho de 2012

Carta para Ana Luiza - Erivelto Reis

CARTA PARA ANA LUIZA




Você é sábia, menina Ana Luiza, porque você viu a poesia que cerca os seres e as coisas. Recebi seu poema e seu autógrafo e acho que foi um presente. Um belo presente. Você ofereceu, de repente, um gole d’água no deserto das emoções que permeiam as relações sociais, tantas vezes tão desgastadas. Você ofereceu um tesouro valioso. Não cobrou quase nada. Só a leitura de um poema.

O mundo é a folha em branco das grandes poesias, das grandes histórias que você vai escrever, das grandes vitórias que você vai ter. Persista, pergunte tudo, Ana Luiza. As respostas vão aparecer. Algumas delas, você vai perceber de primeira. E, algumas outras, você terá que esperar pra entender.

Dê a mão aos que a amam: sua mãe, seu pai, seu irmão, sua família, seus amigos... e, se lembrar, aos seus fãs, como eu, acene. Sorria. Menina Ana Luiza, o seu sorriso é como a luz que acorda e ilumina o dia. Você tem muito a realizar Ana Luiza, pois você tem Inteligência, Carisma, Talento, Amor e Deus em seu imenso coração pequenino. Ser feliz é o seu destino.

O seu carinho pelas pessoas e por seu animal de estimação é uma brisa doce no horizonte de contemplação. É bondade, boa vontade, fraternidade e alento. É a música da esperança na humanidade entoada pelo suave som dos ventos.

Poesia, Ana Luiza, é antes, durante, depois e a partir do seu poema. São as coisas que a alegria inventa. É colinho de mãe. Abraço do pai. É brincar com o irmão. É o que você faz quando escreve. São os sentimentos, as emoções. É ter paz no coração.

Agradeço pelo poema e pela dedicatória. E recordo, parafraseando do meu jeito, pra rimar com seu nome, o poeta Tiago de Melo que escreveu que é da infância que o mundo mais precisa. Seja sempre poeta, seja sempre feliz, menina Ana Luiza.



                                                                                         Rio de Janeiro, 07-7-2012
                                                                                                              Erivelto Reis

Primeiro Poema de Ana Luiza (uma menina de 7 anos) - Este eu recebi autografado.

(Publicado com a autorização da autora e da mãe da autora)


PENÉLOPE
Ana Luiza

Eu me chamo Penélope
Tenho um nome genial.
Sou divertida, bonita
E também muito legal.

Sou engraçada e brincalhona
Tenho muitos amigos e amigas.
As amigas são mais legais
E são as mais bonitas.

Eu não sei o que pensam de mim,
Acho que me acham meio boba.
Mas eu vou te contar uma coisa
Eu sou uma cachorra.
                                                                                               
                                                                                                    05/7/2012

Crônica: Os contatos e os contextos - Erivelto Reis

OS CONTATOS E OS CONTEXTOS


Não é uma seta, não é um dardo. Não há alvo.


Resta esperar que estejamos a salvo.

Erivelto Reis

Ouço falar, com espanto, que os contextos explicam os atos, que os fins justificam os meios e que o sujeito tem que impor o seu jeito, tem que dizer a que veio. Mesmo que parta a cara e o coração ao meio.

Quanto erro escandaloso passa por mérito, depois de visto pela luneta do pretérito?! Nada disso. Não aceito. Faça um teste e veja que com você é diferente: ligue para os seus contatos e veja se eles aceitam te livrar das roubadas, dos apuros, dos apertos, dos perrengues, das enrascadas, das mancadas, das burradas, das asneiras, dos atropelos, dos tropeços, dos tombaços, das besteiras, das bobagens que você tem feito. Não me diga que está contando com a rede social para atestar que você é especial. É muito pra divulgar, mas é pouco pra validar.

Passe um e-mail. Você não tem contexto?! Você é bem aceito, é chegado, é mano, e compadre, é protegido, acolhido, acochambrado, é indicado, escolhido, influente, bem relacionado? Então peça dinheiro emprestado, avisando, de antemão, que não irá pagar. Veja se tem algum valente que se aventure a te emprestar?

Haja contato e contexto para falar mal dos outros. Para subverter a lógica com cinismo, exibicionismo e falsidade ideológica. Ninguém precisa aceitar a opinião de ninguém. Mas achar que o outro não sabe, só porque você não concorda; que outro não pode, porque você mesmo se poda?!... Aí é f-o-g-o! Já é demais! É se enforcar com a própria corda. É muita marra. É pular de paraquedas com a cordinha da descarga. Assim você se estraga.

Quem tem contatos e contextos deve usá-los paro o bem. Quem tem amigos, não deve usá-los, deve amá-los, preservá-los, tá bem?! Nada de pedir favor a três por dois. Pedir caviar e pagar com arroz. Pare e pense por um segundo. Vai dizer que você não conhece alguém que pede favor a todo mundo? Um nome numa lista, numa agenda, é alguém com sentimentos; um ser de carne e osso, mesmo sendo carne de pescoço.

Quem valoriza a influência que possui, deve saber que ela se esgota, se desgasta, se dilui, se você esgarça o tecido de que ela se constitui. Nada de megalomania, ironia barata, ácida e corrosiva. Nada de usura, de pendura, empáfia agressiva, humildade fingida. Chega de fofoca e bate boca. A falta de respeito não é convidada, mas vai a todos os eventos com a mesma roupa. Quem anda pedindo caveira é assombração que aparece e assusta, mas cai do cavalo, não fica na cadeira. Não deixe a ética de saia justa. Não a envolva em uma túnica. Nem oito nem oitenta. Seja sincero, honesto e solidário. Essa não é uma oportunidade, é opção e é única.