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Poeta - escritor - cronista - produtor cultural. Professor de Português e Literaturas. Especialista em Estudos Literários pela FEUC. Especialista em Literaturas Portuguesa e Africanas pela Faculdade de Letras da UFRJ. Mestre em Literatura Portuguesa pela UFRJ. Nascido em Goiás, na cidade de Rio Verde. Casado. Pai de três filhos.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

"Mapas" - Poema de Erivelto Reis

Mapas
Erivelto Reis
Em que terras porei meus pés,
Quando tudo o que sei flutua?
A luz da lua, fase a fase,…
A existência protegida
Num tempo que ninguém
Quer que passe.
Em que oceano
Afogarei meus olhos?
Retina que vê ausência,
Embaçada de incoerência,
Rumor que mais maltrata
Do que salva.
Olhar de cachoeira,
Cascata e catarata:
Um fio d’água e de voz,
Córrego que escorre nós…
Barco naufragado na foz!
Apenas rio…
Apenas mar,
Lagoa…
Em que porto
Terminam meus dias,
Quando tudo o que digo
(E o que não digo)

Magoa?

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Off & Sina - Poema de Erivelto Reis

Off & Sina

Erivelto Reis 

É assim que uns e outros
Tratam a Educação:
Dilapidam diamantes
Pra produzir carvão.
Mas comigo, não!
Comigo, não...

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Presença - Poema de Erivelto Reis

Presença
Erivelto Reis

 Tristeza é parágrafo da prosa 
é primeiro verso da poesia, 
quando a vida e a literatura 
perdem quem não deveria.


Vou guardar a lembrança
Viva do tempo
Em que você esteve comigo.
Mas vou guardar com tanto afinco
E, ao mesmo tempo,
Com tanto desapego,
Com o sentimento acessível
A quem quer que saiba ou pressinta
Que a história que vivemos
Talvez não me pertença.
Vou guardar com tanto zelo
E, ao mesmo tempo,
Com tanta displicência,
Como quem expande a consciência
De que só é real a essência…
Vou guardar dividindo,
E multiplicando a sensação
De otimismo e a lembrança do seu talento,
Amor em forma de oferenda,
Graça pra quem
Testemunhou ao menos

Um fragmento de sua existência.

terça-feira, 22 de julho de 2014

"Dois pontos" - Poema de Erivelto Reis

Dois pontos:
Erivelto Reis

Contando
Pode parecer difícil
De acreditar:
O amor é ímpar
A solidão é sempre par...

OlhA lá - Poema de Erivelto Reis

OlhA lá…
Erivelto Reis

Garoto na calçada:
“Moço não passa,
A vida é uma ponte quebrada”.
Ouvi a revoada...
E tiros de metralha
Dispensaram o pouso
Das aves e dos sonhos.
Apenas poça, apenas sangue,
Mangue de existência abreviada…
Garoto na calçada:
– Moço, no morro, na laje,
Na beira da estrada,
Na mesquita,
Na escola bombardeada:
Não passa nada.                   

A vida é uma ponte quebrada…

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Poema: "Ri... mas" - Erivelto Reis

Ri…mas,
Erivelto Reis
Nem sei que é feito de mim
Com esse silêncio inquebrantável!
É ausente, 
É mínimo.
É uma infância de signos,
É uma herança de ritos,
São sons e palavras
Que, às vezes, repito:
Nem sei que foi feito de mim…
Mas nem eu acredito.

sábado, 5 de julho de 2014

Bento Santiago - Poema de Erivelto Reis

BENTO SANTIAGO
Erivelto Reis
Insisto na escolha de destinos,
Por um entendimento consagrado,
Critério que aplico aos amores, amigos,
Epitáfio, suspensórios e camisas…
Invento cores pra mudar os dias:
De azul e colorido amistoso
Para um pálido, enevoado
E cinza tenebroso.
Atravesso com o barqueiro
Sem moedas que permitam
Que a viagem eu conclua…
O rio é raso, mas eu sei que ele espreita
– A alma até flutua, mas afunda –
E trama a minha queda.
Por um dever de ofício
Cultuado e por indício,
Vou transformando a dádiva de viver
Em autêntico sacrifício.