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Poeta - escritor - cronista - produtor cultural. Professor de Português e Literaturas. Especialista em Estudos Literários pela FEUC. Especialista em Literaturas Portuguesa e Africanas pela Faculdade de Letras da UFRJ. Mestre em Literatura Portuguesa pela UFRJ. Nascido em Goiás, na cidade de Rio Verde. Casado. Pai de três filhos.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Poema: "Escravo em Babilônia", de Erivelto Reis

Escravo em Babilônia
Erivelto Reis
Pra Cícero, doador ambulante de Poesia...

Escravo é um homem sem tempo,
Quando os que compram seu tempo
Não pagam por tudo o que ele significa.
Escravo é um homem endividado, evadido,
Inviável, que não tenha qualquer coisa de invejável.
Que paga com a vida
Por um sono que jamais será tranquilo.
Escravo é uma mãe aflita
Porque seu filho ou sua filha,
Ou qualquer um de sua família,
Até ela mesma –
Não têm certeza
De um feliz retorno à própria casa.
Escravo é um homem
Sem vaidade, em estágio constante de vertigem,
Por pedra, tropeço, droga ou paixão
Que cesse ou que aplaque
A ilusão de liberdade que simule.
Escravo tem sempre a mão estendida,
Presa por grilhões de afago,
Reconhecimento, poder ou apoio.
Que se dê a guisa de esperança.
Escravo é nascer e nunca ser criança...
É amar e não produzir lembrança,
É existir apenas de aparência,
É ser objeto abjeto de uma desciência.
Não olhe pra mim com esses olhos:
Há algo neles que não me liberta,
Há um lago neles que me aprisiona.
Há um logo neles que me dá vergonha...
Escravo é todo aquele a quem
Tentam impedir de amar e ama.
Que impedem de sonhar
E sonha...
Escravo é o poeta nos lapsos da escrita,

Nos arredores de tudo quanto chamam vida.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Poema: "A traição dos paradoxos", de Erivelto Reis

A traição dos paradoxos
Erivelto Reis

Morre um pouco de nós,
Quando os que amamos morrem.
Mas não morre em nós
A memória dos que amamos.
E isso dói –
Eterna sina do herói:
A cristalização das saudades,
Dos remorsos...
Essa é a traição dos paradoxos.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

POEMA: "MONÓLOGO DE UM FORASTEIRO QUE NÃO SABIA O QUE SE PASSAVA EM DENVER", de Erivelto Reis

MONÓLOGO DE UM FORASTEIRO QUE NÃO SABIA O
QUE SE PASSAVA EM DENVER
Erivelto Reis

Para Cícero César e Flávio Pimentel
Alguém desarme esses homens
Antes que eles derramem mel nas nuvens
E pólvora nos ouvidos.
Sua sina, sanha ou meta
De vingar com as palavras
Que escamparam da morte
Os que delas precisaram
E foram silenciados,
Vai lavá-los à forca,
Às cruzadas, palavras-cruzadas,
E à estupidez dos lúcidos
Ante o inexorável.
Não veem - os que se julgam arautos!
Que em Denver
A honra se faz com
A caneta e o papel
E duas doses de tequila
Com sal e limão...
Ou qualquer destilado
Porque deste lado do balcão
Quem serve o freguês
Não sabe nunca
Quando o seu pedido é último
E quando será a sua vez.
Bebam tulipas de cerveja gelada
Passem ao largo!
Pelas ruas de Denver só suas sombras
Devem deixar rastros.
Não sei bem quem são,
Mas pela liberdade
Com que expressam
Sentimentos e polêmicas,
Ah, amigo, esses caras
Só podem estar querendo
Arrumar confusão!
Eu que não vou mexer com eles
Vai que eles sacam as armas,
Puxam o gatilho
E matam todo mundo
Com um novo poema lindo
Ou com uma bela canção.
Eu quase pedi pouso em Denver,
Mas esse lugar não é para os fracos, não.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Poema: "Presságio", de Erivelto Reis

PRESSÁGIO
Erivelto Reis
Para os meus alunos e alunas
que tiveram dificuldades esse ano

Não há nada que eu ofereça,
Nessa etapa da jornada,
Que sinalize seu caminho,
Que pavimente a sua estrada.
Posso dizer um adeus, um até logo, até breve...
Pedir, pública ou silenciosamente,
Que os bons ventos te levem:
Preservem-te no que houver de melhor.
É pouco antes da noite,
A maré sobe lentamente,
E a areia, escaldante, arrefece...
Padece o professor que se despede
Do aluno que não soube ser discípulo,
E, mais ainda, daquele que de há muito superou o mestre!
Nessa praia só há horizonte e profundidade
Uma única escolha de futuro ou de naufrágio...
“Que os bons ventos te levem”
Repito, ao longe, num presságio.

Não há nada que eu ofereça...

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

POEMA: ETC/ECT, de Erivelto Reis

ETC/ECT

Erivelto Reis

Caros amigos,
Eis os que vos proponho:
Não paremos de lutar!
Eu vou continuar
Compondo os poemas que componho,
Escrevam cartas, e-mails, posts, músicas,
Todas as formas de amor, comunicação e arte...

Porque a vida, às vezes, extravia o sonho.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Poema: "Cesariana Canção da Paz", de Erivelto Reis

CESARIANA CANÇÃO DE PAZ
Erivelto Reis
                                               Pro Cícero e a Layla,
                Pro Anderson e a Adriana,
Pro Marcos e a Arlene,
                Pro Flávio e a Amle,
                Pro Pasche e a Aline,
Pra todos os casais amigos nessa batalha.

A próxima Revolução
Vai começar com um poema:
A vida foi tão fustigada,
Que a cumpri como sina,
Eu não sabia de nada:
Que a vida nos castiga
E só depois nos ensina.
Topei fazer a viagem
E a melhor companheira foi minha Gloria Regina.
Tive amigos, fiz escolhas, pra vida ser menos dura:
E o berço dos meus sonhos
Foi a arte da Literatura.
Converti-me em leitor,
Evangelho seguido à risca.
Às vezes escrevo uns versos
E as palavras soltam faíscas.
Não sou mal, nem bom poeta,
Atrevo-me a rimar, no entanto,
É Professor Cícero César
Quem sabe desses meandros...
Cada vez que penso em tudo
Que eu consegui nessa vida,
Vejo marcas, hematomas,
Das batalhas, das partidas.
Sei que a vida nos machuca
E se não cura, a Poesia,
Pelo menos cicatriza...
E mesmo se assim não for,
Certamente, ameniza.




segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Poema: "Consolo pela Filosofia", de Erivelto Reis

CONSOLO PELA FILOSOFIA

Erivelto Reis

Hamurabi e seu código rasurado...
Zoroastro,
Mantra, Maat pela metade,
Dharma, Samsara,
Chacras, Karma,
Resiliência, insanidade,
Amor, ficção, realidade.
Ó, infernal invenção dos sumérios:
“Pólvora” dos fenícios, “Windows” de Gutemberg...
Emprestaram sílabas e vogais a todas as dores que nos perseguem!
Escrever é sobre isso, nada mais.
Fênix, Ressurreição,
Reencarnação, Nirvana,
Sísifo, martírio de todos os mitos,
Ciclo:
Físico, espiritual
Infinito.
Escrevo sobre coisas
De que não me lembro.
Não é o tempo que detém a vida,
É a vida que preenche o tempo.
Saudade nunca foi coisa banal!
Mnemônica inércia do passado:
Num dia de chuva ou observada num pôr-do-sol ocasional.
Café, açúcar mascavo,
Biscoito de maisena,
Bolo fatiado...
Página de livro,
Verso de um poema,
Palavra:
Tudo que não é você,
É símbolo, Primitivo,
De quando você estava
Ao meu lado.


sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Poema: "Professantes", de Erivelto Reis

PROFESSANTES
Erivelto Reis

Para Joyce, Meire, Tamires, Thiago e seus semelhantes

Lapidados, todos os diamantes encontrados valem muito.
Lapidados, todos os sentimentos demonstrados valem muito.
Lapidados, todos os conhecimentos construídos valem muito.
Todo gesto de amor
Vale muito...
Existiram diamantes
De incalculáveis quilates
Mesmo antes da descoberta.
Benditos gestos de amor,
Que inauguram passagens
Onde havia paredes.
Inauguram portais
Onde havia estradas desertas.
Benditas pessoas,
Com halo de bondade,
Humildade e determinação:
Alunos, irmãos, irmãs:
Mensageiros, mensageiras
Semeadores, semeadoras,
Professores, professoras,

Professantes de Novos Amanhãs.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Poema: "Ladainha Para os Estudantes Brasileiros Que Farão o ENEM 2016", de Erivelto Reis

Ladainha Para os Estudantes Brasileiros Que Farão o ENEM 2016
Erivelto Reis
                               Em especial, aos meus alunos do CIEP 156, Dr. Albert Sabin, em Seropédica.

Meu São Paulo Freire, protegei
Os estudantes do Brasil,
Que vão fazer o ENEM.
Pra evitarem os erros
E tirarem nota mil.
Meu são Darcy Ribeiro,
Iluminai as leituras,
Para que os estudantes brasileiros
Gabaritem Literatura.
Santa Cecília Meireles, professora tão simpática,
Tenho fé que os estudantes
Vão arrasar em Matemática.
Meu Santo Aurélio de Holanda,
Lexicógrafo de verdade,
Inspirai os estudantes a entrarem pra Universidade.
Peço ainda proteção a Santo Anysio Teixeira
Para que ampare os professores e a Educação Brasileira.
Se não acredita em santos, sem problema:
Alce voo, como as aves:
Creia na Educação, como ensinou Rubem Alves.




domingo, 23 de outubro de 2016

Poema: Crusoé - Erivelto Reis - Com imagem

CRUSOÉ
Erivelto Reis - RJ


Não há bússola, barco, casa,
Válvula, remo e vela,
Rede, remendo, parede e janela
Que impeçam o sonho de naufragar,
Quando o amor acaba.
Ninguém desata o nó,
E a areia parece ser solidão em pó...
O mar é coletivo de distância e de profundidade,
É espelho do céu, que a gente diz que é saudade.
A dor é mágoa e fel
Que tanto mais mata de sede
Quanto mais deságua,
Quanto mais faz carga, barril e tonel.
No horizonte do sonho que naufraga,
Os olhos marejam o convés da cara...
E a gente sabe que tem âncora nos pés
Ao invés de asas.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Poema: "Encurralado", de Erivelto Reis

Encurralado
Erivelto Reis

Quando descerrarem a venda, o véu
No momento que antecede a descida do capuz
Que ofuscará para sempre minha capacidade
De reagir à luz, transformando em imagem,
Ímpeto e desilusão os semblantes
Que reconhecer diante de mim,
Terei a certeza de levar pro além
De aqui
Os nomes de meus detratores,
Dos malfeitores,
Sem lhes ter pronunciado ofensas.
Presentearei a todos com minha
Gratidão, minha distância,
Minha subserviência.
Meu sacrifício
Tentará impedir
O dos de minha família,
De minha descendência.
Não é falta de amor
Morrer amando,
Morrer lutando...
É, talvez, utopia.
Morrer silenciando
É oferecer para além
Do sumo armistício
O exemplo
De quem tentou prestar serviço.
De quem exerceu seu ofício
Até o último dia,
O dia que excedeu.
Não dá para supor que,
Como Última palavra, se me escape,
Um escrupuloso adeus.
Mas posso me supor sereno...
Diria Sócrates, diria um trabalhador comum,
Diria, talvez, Galileu,
Ao ver se aproximando
A taça derradeira,
Contendo seu veneno,
Sua sentença...
O último insulto:
Cinco minutos depois
Terá chegado o indulto?



sábado, 15 de outubro de 2016

Poema: "Protesto", de Erivelto Reis

Protesto
Erivelto Reis

Quando foi que as asas das xícaras ficaram mais úteis que as da imaginação?
A resposta está nos gabinetes,
Por detrás das portas de vidro transparentes,
De pessoas não tão transparentes.
Está nos lares, nas rampas, nos corredores das alamedas,
Nas pautas, pecs, no caixa eletrônico vomitando silêncio e indiferença,
No telefonema de cobrança, na ordem de despejo, de busca e apreensão,
Na atitude da ameaça e da mordaça.
Ser professor no meu país é uma aventura, é uma guerra,
É uma perpétua afronta aos poderosos,
Que querem o melhor para os próprios filhos e descendentes,
Mas não o mesmo para o povo, para a gente.
Não sei escrever – sabendo – mas não podendo,
Algo mais lúdico nesse instante em que todas as portas se fecham,
Sob o véu de uma liberdade sequestrada.
Aprendemos cada vez mais tudo sobre nada.
Esquecemo-nos de coisas para as quais a Literatura alertara,
Que a História registrou e que esperávamos que fossem
Partes de uma página virada.
Ser professor no antigo melhor País do mundo
É tão mais sofrido do que sê-lo nos países do novo Velho Continente.
Ser professor é quase ser exótico,
Diferente por querer e por trabalhar pra construir o bem comum.
Os que traíram a nossa classe,
Sem classe e constrangimento algum,
Comemoram e usam a retórica
Enquanto (ainda) não podem prender-nos
E torturar-nos por querermos existir com brio e dignidade.
Os que perderão o futuro que poderiam ter
E os sonhos que construiriam a cada dia – não sabem que perderam,
Nem são capazes de chorar.
A indignação e alienação
Tantas vezes nos paralisa a libido de viver e reagir.
Ser professor num país de democracia líquida,
É sólido, lapidar e permanentemente transitório!
Você é professor?
E faz o quê pra viver?!
Você que governa e legisla e julga e permite esse abuso
Faz o quê pra viver com isso?!
As asas das xícaras se tornaram
Mais úteis que as da imaginação...
O mundo pode até melhorar,
Mas no momento
Não há qualquer previsão.




terça-feira, 11 de outubro de 2016

Poema: "12 de outubro" - Erivelto Reis

12 de outubro
Erivelto Reis 

Quando eu era criança,
Me ensinaram a não falar
Com ninguém que fosse
Ou parecesse Estranho
Aprendi a lição:
Segui a vida assim,
Selecionando...
Mas, de um tempo pra cá,
Eu venho reparando:
Até conversar comigo mesmo
Eu tô achando estranho.
É estranho falar só gerúndio?
Mais do que falar sozinho?
Estranho, hein?!
Só eu que acho estranho
Falar pelos cotovelos?!
Estranhos somos todos nós
Desde antes de inventarem

Espelho.

domingo, 9 de outubro de 2016

Poema: "Id (ente) idade", de Erivelto Reis

Id (ente) idade
Erivelto Reis

A consciência acusa:
Receber o amor que não merece,
Mensagem espionada de watts,
Supor-se tão mais digno que os demais,
Passar por outra rua pra não encontrar
A quem se deve,
Favor que se possa fazer
Mas que se escusa...
Preconceito, intolerância,
Esvaziar o saldo da poupança,
Estourar o limite do cartão e do cheque,
Não receber o amor que se merece,
Só permitir carinho por permuta,
Pai e mãe ignorados sem motivo,
Ser duro, áspero, grosso e possessivo,
Exaurir-se de uma lágrima,
Trocada por uma ilusão impávida,
Sonegar os desejos de uma grávida,
Mentira boba, mentira grave,
Desonestidade, relativização de culpa...
A consciência acusa,
A razão promove,
Mas é o coração que julga.
Haja travesseiro pra tanta noite insone...
A consciência acusa,
Brada silenciosos gritos:
Ela sabe seu endereço, não esquece seu nome,
Conhece os seus mais secretos delitos.



terça-feira, 27 de setembro de 2016

Poema: "Ex-plágio", de Erivelto Reis

Ex-plágio
Erivelto Reis


Não tens disciplina para ouvir
E alegas ter capacidade de ensinar
Não tens postura ética
E alegas que a educação é teu rosário
Não respeitas ao teu igual que fala
E sustentas oposição às hierarquias
Que enxergas no meu silêncio,
Na presença que, insistes, vos afronta
E não calculas nem assumes vossas faltas
Elas, não eu, vos reprovam...
As tramas e teias dos enredos que protagonizas
Não aludem às incúrias que propagas
Leia mais, leia muito, leia melhor
Depois me procure para um debate real
Não para uma pirraça,
Não para uma arrogância
Gostas de bater com força
E te defendes como se fora criança
Como se não fosse tua a responsabilidade
Pelo que omites.
Doutorado em dar palpites já possuis
Mas não nos apeguemos a títulos
Agarremo-nos aos livros, não aos trabalhos prontos
Aos quais supostamente emulas
Desafias, sem propósito,
Aos que estão um pouco além de teu momento agora
Imagino os muros que erguerás
Contra os que de ti dependerem no futuro
Não aprendes porque não refletes
Não aprendes porque não queres
Não aprendes porque não podes
Consumes... Eis tudo!
Não lidas com estudo.
Poupe-me de seu desrespeito,
De sua violência, de seu despeito.
Não afies vossas garras contra mim
Não tens paciência para ouvir,
Mas queres livrar o mundo dos que o corrompem
Não mude apenas de curso
Mude de vida
Faça isso
E pra ontem.



terça-feira, 20 de setembro de 2016

Retórica, poema de Erivelto Reis

Retórica
Erivelto Reis

Pelas costas das mãos,
(Não pelas linhas das palmas!),
Vejo o reflexo do tempo que passou em mim.
As ruas, rusgas, fugas, rugas,
Calçadas, avenidas e estradas de que me esqueci.
Morava em mim
A Esperança, que estava trancada
Na caixa que fora de Pandora.
Não sei o que fazer agora
Sozinho, sem retórica,
Com todos os males pelo mundo afora.
Nenhum poema épico
Jamais desafiou os mitos:
Antes, fez a propaganda
Das coisas que teriam feito...
Difícil fazer poesia com o sabor das coisas que sinto: –
Se não há humano sem esperança,

Não haverá deuses sem defeito no Olimpo.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Poema: "Ítaca", de Erivelto Reis

ÍTACA
Erivelto Reis

Este é um poema de regresso:
Não espere metáforas,
Provas de elevação moral,
Ascendência espiritual,
Este é um poema sem Ítaca,
Sem Ática,
Não é um poema sem ética!
Embora não seja função
Do poeta
Livrar a cara de ninguém...
Aguardem.
É mais frágil esperar,
E mais fácil explicar
O poema que ninguém entende...
O jeito como as palavras se tecem.
Na verdade o poema e a poesia
São a fotografia do exato momento
Em que as palavras se paqueram pela primeira vez,
De um jeito que nenhum sentimento
Fez.
Não há teoria nisso,
No entanto, as pessoas se esquecem...
É fácil escrever poemas,
Difícil é sentir poesia,
Difícil é explicar a vida.

Que os jogos comecem...

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Poema: "Bibelô", de Erivelto Reis

Bibelô
Erivelto Reis

Tenho uma alma tão cansada
Que daqui a algum tempo
Já não me sobrará nada.
Tanto trauma, tanta fúria sufocada,
Quantidades:
Há mais santos que promessas,
Há mais desejo
Que felicidade.
Tenho a alma tão cansada,
Profundo sono,
Meia madrugada,
Me leve pra longe daqui:
Tempo de cinza e saudade...
Trago cansada a alma que nunca tive
E que me fora somente emprestada.
Inquilino de corpo,
Oco de alma.
Ocaso...
Reclamar da alma será vício de quem vive?!
Tenho uma alma tão cansada...


segunda-feira, 15 de agosto de 2016

"Gesto", poema de Erivelto Reis

Gesto
Erivelto Reis

A palavra poesia vazia mata
Como uma corda no pescoço
Como uma pedra que cai no pé
Como o lodo do fundo do poço
Como a verdade sem reconhecimento
Como um santo feio e sem fé...
A palavra poesia vazia cala
Como murro
Por causa da casa
Da(s) (a) marra(s) e das asas das palavras
Como o núcleo
Do insulto
Inesperado.
Como a cápsula de pulso do tempo
E do projétil transpassado.
Entre o silêncio constrangedor
Da ausência de palavras e de vidas,
Devida ordem se instaura:
Do poeta que (vivo) grita sem que o ouçam,
Da poesia que (em silêncio) fala quando a morte o cala.
A palavra poesia vazia,
Silencia e mata...

Não se esqueçam de trancar a porta da sala.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Poema: "Iago e Aquiles" - Poema de Erivelto Reis

Iago e Aquiles
Erivelto Reis

Ah, esses gregos!
Seus egos,
Seus segredos,
Seus prédios sem pregos
Erigidos por Sabedoria e pedra.
Eu tento entendê-los,
Mas me sinto em degredo:
Ouvi-los, até ouço,
Compreendê-los – lê-los – é um grande esforço.
Alelos, paralelos, palimpsestos...
Pretextos pra supor os restos,
Arremedo de desassossego!
Mitos, Musas, Atenas, Prometeus e Atlas e medos:
Para mim parece que estão falando grego.
A festa foi bonita, (Pá)ladinos?...

Ah, esses latinos...

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Poema: Cure - de Erivelto Reis

CURE
Erivelto Reis
                                                        Para Arlene

Vamos cuidar das pessoas com amor,
Porque o câncer pode ter cura,
Mas a estupidez, nunca mais.
Vamos esgotar as possibilidades,
Dirimir as meias-verdades,
Liberem a FOSFO e o que mais for,
Não é muito esforço,
Mas a esperança será maior.
Vamos cuidar das pessoas com mais amor,
Porque o câncer tem cura,
Mas a estupidez, uma vez só.
Já sabemos que houve momentos
Em que se criaram doenças pra vender medicamentos.
Agora existe a doença e a cura pode estar bem perto.
Esse remédio pode curar a tristeza, um vale de lágrimas,
A dor e o sofrimento dos que ficam e dos que poderiam sucumbir.
Liberem o medicamento, encerrem o tormento,
Protejam os pacientes e os familiares.
Façam a alegria de milhares.
Conduzam a luz que vai iluminar,
Expulsar a dor dos lares...
Não me venham falar em milhões de dólares.
Cuidem das pessoas com mais amor,
Porque o câncer pode ter cura,
Porque o remorso de não ter tentado dá dó!
Dê uma segunda chance,
Aos que sabem que a vida é uma só.
Não parece difícil entender:
Dê o benefício de lutar pela vida

A qualquer pessoa que queira viver.

domingo, 12 de junho de 2016

Poema: "Bodas de Mel", de Erivelto Reis

Bodas de Mel
Erivelto Reis

Quero, com você, as bodas todas!
Com os nomes com os quais as chamarem.
Aceitarei os títulos e incluirei o meu:
Quero desenhar e escrever com elas
Um romance, um poema, um cordel...
Comemorar cada momento que eu vivo com você,
Tratando-os, de agora em diante,
Como “Bodas de Mel”.
Bodas de Mel
São e serão todos os dias ao seu lado.
Amor meu, feliz dia dos namorados!
Quero todas as datas,
Quero todas as cartas...
Os diários beijos vários.
Quero tocar de leve o seu rosto,
Com a brisa do meu querer bem.
Quero o que mais gosto em você:
O seu jeito de ser especial,
A alegria de sua atitude,
O seu diferencial,
Que é a sua maneira positiva,
De transformar a vida.
Sua energia criativa,
Sua beleza delicada.
Sua simpatia cativante.
Namorada, esposa, intensa...
A força de sua presença,
Me incentiva, me orienta,
Me faz querer ser melhor...
Todo dia.
Na morada do amor que é nosso,
Refúgio de nossa paz.
Amo você o mais que posso,
Na certeza de amar,
A cada instante, ainda mais.



Musa - dia dos Namorados 2016


domingo, 29 de maio de 2016

Poema: "27-5...", poema de Erivelto Reis

27-5...
Erivelto Reis
Para minha esposa, Gloria Regina,
em nosso 22º aniversário de casamento

Gloria Regina,
Meu amor eterno amor meu,
Obrigado por me fazer assim:
Demais feliz!
Saiba que eu sou completamente seu.
Tenho certeza de que você,
É tudo o que eu sempre quis.
Contando os anos que vivemos
Bem casados, já são 22!
Mas sei que o universo
Registrou em sua história,
Desde sempre,
Uma página pra nós dois.
Fique ao meu lado e me beije,
Dê-me o seu abraço quente,
Gostoso e bem apertado.
Quero, para sempre,
Ser o seu namorado.
Minha amada Gloria Regina,
Minha musa, minha paixão:
Quem me olhar,
Vai enxergar a sua imagem
Tatuada em minha retina,
Pois ela está marcada,
Compassada, cristalina,

Nas batidas do meu coração.

Poema: "Cra-Xá", de Erivelto Reis

Cra-Xá
Erivelto Reis
És um ser de muitos ardis,
Íntimo do protocolo dos covis,
Inimigo íntimo dos bem-te-vis,
De quem é feliz.
Próximo, muito próximo,
De outros seres vis:
Teus iguais,
Inúteis...
Tanto sonsos
Quanto vós.
Tu tens teus falsos perfis,
E destilas com requinte teus licores
De fel e anis.
Lícito que sejas quem és?...
Talvez!
Uma hora chega tua vez.
Negam-te o que desejas,
A cadeira a que almejas,
Tens um bolo sem recheio e sem cerejas...
Uma mesa de banquetes de ausências.
Supões poder...
Vai-se o poder!
Deixa-te coisas fúteis:
Espelho do que vós sois...
Que não me venhas a dizer
Que vos não avisei, depois.



domingo, 27 de março de 2016

Poema: "Gólgota" - de Erivelto Reis

GÓLGOTA
Erivelto Reis

Presa,
Injustamente,
Sem qualquer acusação formal
Levada à presença de detratores,
Tiranos e hipócritas,
Sabedora, de antemão,
Que sua existência
Seria de luta e provação,
Acuada, humilhada,
Maltratada, torturada,
Sob o peso da desfaçatez,
Ela aguarda o seu veredito,
A sua consciência,
A sua vez...
Ré, Crucificada, talvez,
A Democracia
Ressuscita,
Mas, antes, agoniza,
Será que é disso que ela precisa?
Insisto, sabendo a resposta,
Não!
Ela não precisa disso...
Quem a maltrata,
O faz porque gosta.
Perdoar quem não sabe o que faz é coisa de santo...
Mas o espanto é ser chamado de anjo,
Aquele que sabe o malfeito que faz, repare,
O verdugo reflete,
E continua fazendo ainda mais.


quinta-feira, 24 de março de 2016

domingo, 20 de março de 2016

Poema: "Imaginação", de Erivelto Reis

Imaginação
Erivelto Reis

Isso não é uma crítica,
É um conselho:
É só imagem,
É só ação,
Não se zangue:
Isso não é uma vidraça,
É um espelho.
Isso não é uma pedra,

É um bumerangue.

Poema: "Que coisa?!", de Erivelto Reis

QUE COISA?!
Erivelto Reis

Que coisa é povo?
Argila líquida,
Massa malemolente de macetes,
Títeres sem cordões,
Que coisa é povo?
Espuma de barba e mar,
Gosto de café requentado,
Hálito desacordado,
Que coisa é povo?
Voz do eco da voz,
Silencio recalcado,
Ignorância com salário,
Que coisa é povo?
Companheiro de erudição,
Vísceras (da Educação) à mostra,
Cão que dispara lamúrias,
Que coisa é povo?
Mira que acerta calúnias,
Ereção desgovernada de ideologias,
Excitação de briga e batalhas virtuais,
Que coisa é povo?
Cigarro depois do sexo,
Cadafalso,
Nó do pescoço da corda,
Que coisa é povo?
O erro contínuo de novo,
O acerto no susto,
Repente,
Que coisa é povo?
É planta,
É bicho,
É gente,
Que coisa é povo?
Interrogação sem resposta,
Afirmação inconteste,
Alfinete que espeta,
Que coisa é povo?
Marreta, martelo e porrete,
Missa, culto, sessão,
Alegria, esperança e sorvete,
Que coisa é povo?
Catarse, aporia e temor,
Ódio, surdez e rancor,
Cegueira, paixão e bolor,
Que coisa é povo?
Será que o povo sente (Arte)?
Será que ele entende (Arte)?
Será que ele pensa (Arte)?
Que coisa é povo?
Responda às interrogações,
Mito humano (des)almado,

No intervalo entre as refeições...

sábado, 12 de março de 2016

Poema: "Atalhos", de Erivelto Reis

ATALHOS
Erivelto Reis

Porque me disseram:
“Depois daquela curva está o amor!”,
Desandei de acostumar
Com o horizonte.
Agora todo amor é longe,
E não se vê à distância.
Agora todo amor é posse,
É ganância,
Todo amor tem perfume de colônia,
E todo amante tem desejos de metrópole.
Podiam ter me dito antes,
Podiam não ter dito nada,
Podiam ter dito o contrário...
Podiam ter dito a verdade:
 “Vai andando, que amor acontece!”
Agora todo amor parece longe,
Agora todo amor parece posse,
Agora todo amor parece atalho.
Agora tudo amor parece.


domingo, 28 de fevereiro de 2016

Poema: "(Ninguém me ouve): Num game over...", de Erivelto Reis


(Ninguém me ouve): Num game over...
Erivelto Reis

Suas palavras de bulica,
Seus gestos de cerol,
Seus afagos de caco de vidro,
Seus elogios de formol.
Sua gentileza de veneno,
Seus afetos de aborto,
Sua elevada adrenalina,
Sua baixa autoestima,
Sua falta de espelho!
Seu ego, seu conselheiro...
Sua coragem de amarelinha,
Seus ideais virtuais,
Sua elegância de telefone,
A alternância de seus homônimos,
A desfaçatez dos seus perfis e clones.
Sua amizade de ioiô,
Sua inveja de bodoque,
Sua estratégia de tabuleiro,
Sua trajetória de videogame,
Pode ser que você se queime!
Seu jeito de quebra-cabeças,
Sua vaidade, sua cachaça.
Não sei o que foi que houve...
Faz isso de brincadeira,
Disfarçando a trapaça.
Mas saiba:
É game over!
Seus jogos não têm mais graça.


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Poema: "Previsão", de Erivelto Reis

Previsão
Erivelto Reis

Olhei o céu cinza e nublado,
E acho que já vai chover...
Porque caminho de quem anda,
Deve ser enfeitado de hera.
Quem erra em busca de quimera,
Não vai jamais temer a queda.
Não se perca de tudo que herda:
Amor, desejo: orvalho de tudo o que passou,
Sereno do que vai chegar.
Não é o homem quem escreve a lenda,
Esta é o tempo que não apaga a vida.
A torna mito, parlenda ou coisa imperecível,
Caminho de quem erra parece sempre possível:
Ás na manga, coelho na cartola,
Às vezes, tropeçamos na estrada,
Sucumbimos, feridos na batalha,
Esmaecidos pelos atalhos da História...
Mas, não derrotados na guerra!
Quanto mais cavarem o chão,
Para enchê-lo de minas,
Ódio, descalabro sepultando sinas,
Mais anjos vão pousar na Terra.
Porque caminho de quem anda,
Deve ser enfeitado de hera...
Quem erra em busca de quimera,
Não vai jamais temer a queda.
Olhei o céu cinza e nublado,
E acho que já vai chover...


domingo, 14 de fevereiro de 2016

Poema: "Autonekrósgrafia", de Erivelto Reis

Autonekrósgrafia

Erivelto Reis

Na manhã em que nasci
Nada deixou de ser como era.
Exilado para sempre da quimera e da utopia,
Passei a reexistir
Num mundo que já conhecia,
Mas que, rapidamente, aprendi a desconhecer.
Nem palavra aprendida, nem silêncio imposto
Castigo, pancada, tapa no rosto
Fizeram-me desistir.
Por isso cheguei até aqui.
Náufrago, sobrevivente,
Não me deram sonhos:
Eu os forjei com o fogo de Prometeu!
Em ilha deserta, permaneci por muitos anos...
Escrevi cartas de amor e tempestade,
Lancei-me ao mar em busca
De outros continentes: exaurido, apavorado,
Até quase afogar-me...
Resgataram-me...
Pretenso alívio...
Deram água – veneno – para curar-me...
Voltando à solidão da existência,
Quem me define sou eu:
Pouca paciência para o desamor.
Impertinente hemoglobina que desoxigena meu sangue
Eis-me desarticulado como um livro desfolhado...
Sem vida, sem graça,

Grafia exangue.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Poema: "Inventário", de Erivelto Reis

Inventário
Erivelto Reis

Plantei nossa casa
Longe do assombro
Dos abismos
Um pouco distante
De arco-íris imaginários
Para que dela brotasse um lar
Fiz promessas que só cumpri com custo
E com quase tudo sendo sua ajuda
Janela, zinabre, maresia
Sem verniz
Plantei nossa casa, mas foi você quem
Regou o jardim e aparou as arestas
Pra que todos os seus membros
Fizessem parte de uma família feliz
Nossa casa foi uma ópera
Uma silenciosa festa
Foi um palco pagão de religiosidade atroz
Plantei nossa casa para que ela germinasse em nós.
Foi apenas isso o que eu fiz
E nada mais posso dar de presente
Porque nada tenho
Exceto a sua presença
Mas o que poderia eu dar,
Que já a você não pertença?!
Plantei nossa casa
Enfeitei-a com versos e você com prece
Desde o teto ao alicerce
Quem nela reside
Será sempre uma bênção:

Uma poesia que a vida tece.

domingo, 31 de janeiro de 2016

Poema: "Resiliir", de Erivelto Reis

Resiliir
Erivelto Reis

À hora em que os sonhos eclodem,
Depois de uma noite insone.
Espera-se o raiar do dia,
Mas a resiliência esmorece...
É tarde pra erigir estátuas,
É cedo pra comprar o pão.
Destino e vontade duelam,
E o café, bem podia ser doce...
Como a vida e o que quer que fosse.
Uma nesga de dia
Supõe-se,
Mas não se vê.
Lamenta-se a perda do tempo que sucumbiu,
Alvorecer e saudade se unem,
É longe a distância de crepúsculos,
É tarde no calendário de auroras,
É cedo pra implorar milagres...
Faz tempo que criou o mundo,
E Deus ainda nem dormiu...



domingo, 24 de janeiro de 2016

Poema: "Demis", de Erivelto Reis

Demis
Erivelto Reis

Ar até envelhece,
O tempo registra o ar que passa,
A vida é o ar nos enfrentando dia à dia.
Sempre, pra sempre.
Ferrugem das artérias corrompidas...
Que voz vai dublar o eu que seremos
Quando formos mais velhos?
Somos sempre mais velhos do
Que quando nascemos...
Mas o mundo só entende isso
Quando já não estamos mais por aí.
Daí comemorar o aniversário que faríamos.
Meu pai queria conversar,
Minha mãe disfarçava um pedido,
Meus filhos não querem estar ao meu entorno...
Minha mulher não entende o que eu quero dizer com aproveitar.
E eu sei que meu tempo está passando
E, talvez, mais perto do fim, do que quando escolhi esse título.
Não vou me despedir de ninguém,
Não vou rever minha avó, meus amigos,
E a invenção romantizada de suas existências vai morrer comigo.
Não mais minha terra natal, nem Natal!
E minhas cinzas não se depositarão no sítio que eu amei,
Como um menino amou um único brinquedo que jamais ganhara.
Serei lembrança enevoada de um não entender quem eu era,
Serei memória apagada, substituída, ou trauma...
Nem ídolo, nem filho preferido, ex-grande amor, nem nada.
(Am)ar envelhece,
Adeus, meu amor, adeus...
O tempo devora e mata.
Acesse o link e confira:
Enquanto não te mata,

Talvez te fira.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Poema: "Eito" - Erivelto Reis

Eito
Erivelto Reis

Deserto
É areia, solidão e medo,
Sacrifício, vertigem e alucinação.
Deserto
É o lado de fora do mundo,
É o lado de dentro da gente,
Quando tudo (alguém) que se ama parte:
Deserto é uma parte da gente!
É um deslugar, (pode ser qualquer lugar!)...
Abismo entre sonho e mito,
Deserto é um jeito de falar,
Um modo de silêncio,
A vida é feita de desertos,
Que, às vezes, aceitam sementes...
A palavra abortada é feita de desertos,
Amor simulado é feito de desertos,
Há miragens
E oásis perto...
Imaginados, pressentidos.
Desertos, cânions, sede, suor.
Isolar-se de outras presenças,
Orientar-se pela voz do eco,
Na esperança de ouvir ausências.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Poema: "Fauna" - Erivelto Reis

FAUNA
Erivelto Reis

Amor é criado solto, livre.
É bicho do mato,
É animal selvagem,
É bilhete premiado,
É a inesquecível e tão aguardada viagem...
Amor indomado,
Não tem nome
Até ser avistado.
Atende o chamado do instinto...
Adestrado.
Amor irrevogável,
Decretado sem palavras,
Por olhares ambiciosos,
Aparentemente despretensiosos...
Ah! Quanto amor corre nas veias,
Campinas dos prados do coração!
A gente doma, não domina...
Nem sente que aprende e ensina.
Amor é criatura selvagem,
Incivilizado entrelace,
Natureza mostrando a força,
Narciso mostrando a face.
Sereno, orvalho,
Água, nuvem,
Chuva, rio, mar...
Amor, fera selvagem,
Vai ficando sereno...
A gente pensa que domou,

Mas foi ele quem se deixou domar.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Poema: "Lattes", de Erivelto Reis

Lattes
Erivelto Reis 
Colhi chuva
Suei prantos
Abracei amigos
Fiquei no meu canto.
Sei qual é o meu lugar,
Às vezes, perto de quem não sabe o seu...
Sorri e falei sozinho
Curti e compartilhei sem ler
Me esforcei pra ler o que deu.
Guardei só pra mim
O que não entendi.
Não posso comprovar nada
Não posso desmentir nada
O erro é a vírgula das histórias
Não dá diploma, mas certifica
Se não edifica, se repete
Se não se repete, consta, supõe-se
Conhecimento
Eis minha inacabada tese...
Apresentada antes que a terminasse
Meu Lattes não aceita likes!
Ah, se aceitasse!...
Ih?! Se aceitasse...

Poema: "Monólogo", de Erivelto Reis

Monólogo
Erivelto Reis

Não sei o que é pior
Os que mentem de dentro da trincheira,
Encurralados por baionetas e disparos...
Ou os que mentem enquanto atiram,
Supondo-se serenos e indultados, indulgidos.
Em não havendo diálogo,
Está tudo muito claro:
Quem perguntar, quem questionar
Veste a carapuça de inimigo.
E não era nunca pra ser guerra,
Era pra ser só uma batalha
Em favor do bem comum.
Agora cada qual é cada um!
E ninguém está a salvo.
Todos se sentem exaustos,
Todos se sentem traídos,
Enganados por alguns,
Que ao invés de defender-nos,
Acharam melhor dividir-nos, confundir-nos,
Desamparar-nos.
É muita covardia pra esconder a força e a farsa.
Eis que vem vindo um deles aí:
Não se esconda, nem corra, não faça por menos...
Façamos cara de santo,
Disfarcemos.
Indignados, mas sorrindo,
Enquanto, por dentro,
Somos tomados de revolta,

Lavados por humilhação e pranto.