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Poeta - escritor - cronista - produtor cultural. Professor de Português e Literaturas. Especialista em Estudos Literários pela FEUC. Especialista em Literaturas Portuguesa e Africanas pela Faculdade de Letras da UFRJ. Mestre em Literatura Portuguesa pela UFRJ. Nascido em Goiás, na cidade de Rio Verde. Casado. Pai de três filhos.

domingo, 24 de janeiro de 2016

Poema: "Demis", de Erivelto Reis

Demis
Erivelto Reis

Ar até envelhece,
O tempo registra o ar que passa,
A vida é o ar nos enfrentando dia à dia.
Sempre, pra sempre.
Ferrugem das artérias corrompidas...
Que voz vai dublar o eu que seremos
Quando formos mais velhos?
Somos sempre mais velhos do
Que quando nascemos...
Mas o mundo só entende isso
Quando já não estamos mais por aí.
Daí comemorar o aniversário que faríamos.
Meu pai queria conversar,
Minha mãe disfarçava um pedido,
Meus filhos não querem estar ao meu entorno...
Minha mulher não entende o que eu quero dizer com aproveitar.
E eu sei que meu tempo está passando
E, talvez, mais perto do fim, do que quando escolhi esse título.
Não vou me despedir de ninguém,
Não vou rever minha avó, meus amigos,
E a invenção romantizada de suas existências vai morrer comigo.
Não mais minha terra natal, nem Natal!
E minhas cinzas não se depositarão no sítio que eu amei,
Como um menino amou um único brinquedo que jamais ganhara.
Serei lembrança enevoada de um não entender quem eu era,
Serei memória apagada, substituída, ou trauma...
Nem ídolo, nem filho preferido, ex-grande amor, nem nada.
(Am)ar envelhece,
Adeus, meu amor, adeus...
O tempo devora e mata.
Acesse o link e confira:
Enquanto não te mata,

Talvez te fira.

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