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Poeta - escritor - cronista - produtor cultural. Professor de Português e Literaturas. Especialista em Estudos Literários pela FEUC. Especialista em Literaturas Portuguesa e Africanas pela Faculdade de Letras da UFRJ. Mestre em Literatura Portuguesa pela UFRJ. Nascido em Goiás, na cidade de Rio Verde. Casado. Pai de três filhos.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Poema: Curta/Longa no Ato, de Erivelto Reis

Curta/Longa no Ato
Erivelto Reis

Para Flávio Oliveira

Já que a vida é curta ou longa,
Dependendo do enredo,
Vou te confiar um segredo
Que a palavra logo revela:
Destino de artista,
Sensível, carismático, capaz...
É ser reluzente como estrela...
Que o filme passa na tela
Da retina e da janela.
Protagonista da própria existência,
Eu sei e quem não diria?!
Sua amizade é um clássico
Exibido sem bilheteria,
Com plateia sempre cheia,
Para aplaudir sua energia.
Seja na tela ou no palco,
Na ribalta ou na coxia,
Flávio Oliveira, meu caro,
Talentoso Professor...
Amizade é uma lição
Que só se ensina e

Só se aprende com amor.

Poema: Sucata, de Erivelto Reis

Sucata
Erivelto Reis


Pra me falar na lata
Que eu não passo de sucata,
Além de parecer ingrata,
Limpa essa fuligem,
Limpa essa ferrugem,
Que correm...
Que tanto tétano,
Quanto amor
Matam.
E, enquanto não matam,
Doem. Destroem. Sufocam.
Oxida, imanta,
Atrai,
Mas de nada adianta...
Pra me falar na lata
Que eu nem cheguei perto
E passo,
Nem ferro, nem aço
São mais resistentes
Que a vontade
De condenar os penitentes, os transeuntes,
Que pagam promessa e pedágio
Para o amor alado.
Escombros, sucata e rugas...
Resto de gente aparece na lata,
Na resposta e na pergunta.
Quem nunca disse
Que não ia nunca?!
Recicle a sucata
Que ela vira coisa nova...
Amor não se recicla, se renova:
Livre-se da sucata,
Que ela não te prejudica.
Sucata é o que não serve pra você na hora...
Joga a sucata fora,
Que, de repente, outro encontra,
Valoriza e aprova.
Esquece a sucata,
Deixe de bravata e desilusão.

O homem de lata é só sucata sem coração...

domingo, 1 de janeiro de 2017

Poema: "Áfricas", de Erivelto Reis

Áfricas
Erivelto Reis
Para Norma, em seu aniversário.

Nenhuma África existe a não ser
A que se encontra em nós.
Nosso DNA de Áfricas,
Acorrentado
Pela transposição das vitrines dos shoppings,
Pela segmentação social,
Pelo preconceito contra os Deuses
Que fundaram esses povos –
Tanto quanto outros deuses fundaram outros povos
E os que neles creem...
E se disponibilizam acessíveis aos credos da igualdade,
Pelas roupas que substituem as peles
Que disfarçam o sangue africano
Da Humanidade.
Existe, sim, com razão,
Uma África, marco histórico, geográfico, antropológico...  para onde os olhares se voltam
E de onde os olhares se desviam,
Conforme os interesses intrínsecos e explícitos
Combinam-se.
A verdadeira África reside em cada célula
Do nosso corpo (social)...
E não nas cédulas e pedras preciosas que habitam os cofres
E revestem o poder dos que a venderam,
E vendem e a exterminam
E negociam com ela...
Preciosa mesmo é a vida!
Seu povo sou eu também,
Que tão pouco sei a seu respeito,
E cada qual que a respeita
E pensa nela com carinho,
Reverência e nostálgica saudade.
Como se fora um filho que escreva
Uma carta, um e-mail,
Um bilhete que seja,
Para uma Mãe que viva distante
Por ocasião de uma data ou de um Natal qualquer.
A luta em favor da África e de seus povos
Começa por reconhecer que são nossos irmãos e irmãs,
Por valorizar suas Culturas e suas Artes.
Essa é a regra
Valores que Norma, em especial, entre outros queridos Mestres,
Legou-nos – a mim e aos demais:
Cultivar o amor
Como a Filosofia das Letras,
Da existência de uma África próspera de paz.