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Poeta - escritor - cronista - produtor cultural. Professor de Português e Literaturas. Especialista em Estudos Literários pela FEUC. Especialista em Literaturas Portuguesa e Africanas pela Faculdade de Letras da UFRJ. Mestre em Literatura Portuguesa pela UFRJ. Nascido em Goiás, na cidade de Rio Verde. Casado. Pai de três filhos.

domingo, 1 de janeiro de 2017

Poema: "Áfricas", de Erivelto Reis

Áfricas
Erivelto Reis
Para Norma, em seu aniversário.

Nenhuma África existe a não ser
A que se encontra em nós.
Nosso DNA de Áfricas,
Acorrentado
Pela transposição das vitrines dos shoppings,
Pela segmentação social,
Pelo preconceito contra os Deuses
Que fundaram esses povos –
Tanto quanto outros deuses fundaram outros povos
E os que neles creem...
E se disponibilizam acessíveis aos credos da igualdade,
Pelas roupas que substituem as peles
Que disfarçam o sangue africano
Da Humanidade.
Existe, sim, com razão,
Uma África, marco histórico, geográfico, antropológico...  para onde os olhares se voltam
E de onde os olhares se desviam,
Conforme os interesses intrínsecos e explícitos
Combinam-se.
A verdadeira África reside em cada célula
Do nosso corpo (social)...
E não nas cédulas e pedras preciosas que habitam os cofres
E revestem o poder dos que a venderam,
E vendem e a exterminam
E negociam com ela...
Preciosa mesmo é a vida!
Seu povo sou eu também,
Que tão pouco sei a seu respeito,
E cada qual que a respeita
E pensa nela com carinho,
Reverência e nostálgica saudade.
Como se fora um filho que escreva
Uma carta, um e-mail,
Um bilhete que seja,
Para uma Mãe que viva distante
Por ocasião de uma data ou de um Natal qualquer.
A luta em favor da África e de seus povos
Começa por reconhecer que são nossos irmãos e irmãs,
Por valorizar suas Culturas e suas Artes.
Essa é a regra
Valores que Norma, em especial, entre outros queridos Mestres,
Legou-nos – a mim e aos demais:
Cultivar o amor
Como a Filosofia das Letras,
Da existência de uma África próspera de paz.



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